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História da Medicina Veterinária

Em São Paulo, a primeira instituição de ensino da Veterinária teve origem no Instituto de Veterinária do Butantan
Crédito da Foto: Acervo Histórico/FMVZ-USP

O exercício da Medicina Veterinária (Ars Veterinaria) confunde-se com os primórdios da civilização humana e está relacionada ao processo de domesticação dos animais. Encontrado no Egito, em 1890, o “Papiro de Kahoun” descreve fatos relacionados à arte de curar animais, ocorridos há 4.000 anos a.C., indicando procedimento de diagnóstico, prognóstico, sintomas e tratamento de doenças de diversas espécies.

A imagem traz, destacado por uma borda verde, o verbete Ars veterinária.  A arte de curar animais (como foi denominada na Roma Antiga). A palavra “veterinário” surgiu, em 1748, quando foi traduzido um tratado sobre cura de animais: “Artis Veterinariae”, de Vegetius Renatus, escritor do Império Romano, no século V a.C. Até meados do século 18, as pessoas que trabalhavam com a cura animal eram chamadas de marechais-ferradores, nos países de língua latina; de rossartz, na Alemanha; e ferries, na Inglaterra.

Documentos históricos mostram que a Medicina voltada aos animais era praticada há 2.000 anos a.C. em regiões da Ásia e da África, do Egito à Índia Oriental. Na Europa, os primeiros registros são da Grécia, no século seis a.C., onde em algumas cidades eram reservados cargos públicos para os que praticavam a cura dos animais, os chamados hipiatras.

Da era cristã, em Bizâncio (atualmente, Istambul), foi identificado um verdadeiro tratado enciclopédico de meados do século seis, chamado Hippiatrika, compilado por diversos autores, entre os quais Apsirtos, considerado, no mundo ocidental, o pai da Medicina Veterinária.

Entre os assuntos descritos por Apsirtos estão mormo, enfisema pulmonar, tétano, cólicas, fraturas, sangria, beberagens e unguentos

A Medicina Veterinária moderna, organizada a partir de critérios científicos, começou a se desenvolver com o surgimento da primeira escola de Medicina Veterinária do mundo, em Lyon, na França, durante o reinado de Luiz XV, em 1761. Este primeiro centro mundial de formação de médicos-veterinários começou a funcionar com oito alunos, em 1762. No final do século 18, já funcionavam por toda a Europa 17 escolas.

Medicina Veterinária no Mundo Em um mapa mundi são destacados os seguintes países:  - Estados Unidos: País conta com 32 escolas de Medicina Veterinária e pouco mais de 113 mil médicos-veterinários.  - Europa: De acordo com a Federação de Veterinários da Europa, há pouco mais de 309 mil profissionais divididos entre 39 países. O continente conta com 95 escolas de Medicina Veterinária. O maior número de médicos-veterinários está na Ucrânia, na Itália, na Alemanha e no Reino Unido.  - Brasil: Com 461 cursos de Medicina Veterinária em atividade, o País tem 18.037 mil médicos-veterinários ativos no Brasil. O estado de São Paulo, responsável por cerca de 27,5% do efetivo nacional ativo, conta com 97 escolas e mais de 40.760 mil médicos-veterinários registrados.  - China: Com 22 escolas de Medicina Veterinária, possui, entre médicos-veterinários e tecnólogos, cerca de 1,2 milhão de profissionais. A grade curricular e a regulamentação da profissão são distintas do Ocidente.  Em um quadro com as bandeiras representativas dos países, é apresentado um ranking de países com o maior número de escolas de Medicina Veterinária: Brasil com 461; Estados Unidos com 32; Itália com 13; Espanha com 12; Ucrânia com 10; Turquia com 10; Alemanha com 7; Reino Unido com 7; Portugal com 6; e França com 4.  Ao lado também representados por suas bandeiras, o ranking de países com maior número de médicos-veterinários: Brasil com 148.037; Estados Unidos com 113 mil; Alemanha com 41 mil; Ucrânia com 38.400; Itália com 30.100; Reino Unido com 27 mil; Espanha com 27 mil; Turquia com 20 mil; França com 19.500; e Portugal com 6.058.  Finalizando o infográfico, um gráfico do crescimento do número de escolas de Medicina Veterinária no Brasil ao longo dos anos: em 1980 eram 32; em 1995, 41; em 1996, 47; em 1998, 63; em 1999, 87; em 2000, 88; em 2001, 97; em 2002, 104; em 2003, 109; em 2004, 117; em 2005, 126; em 2006, 136; em 2007, 136; em 2008, 135; em 2009, 153; em 2010, 159; em 2011, 178; em 2012, 185; em 2013, 192; em 2014, 205; em 2015, 221; em 2016, 247; em 2018, 352; em 2019, 414; em 2020, 445; e em 2021, 461.   Fonte: e-MEC (fev. 2021), AVMA – Listed Veterinary Colleges of the World (fev. 2020) e FVE Survey of the Veterinary Profession in Europe – 2018.

No Brasil

Entusiasta das Ciências Agrárias no Brasil, D. Pedro II viajava pelo mundo garimpando novidades nas mais diferentes áreas do conhecimento com o intuito de proporcionar desenvolvimento intelectual e econômico ao País. Em 1875, visitou a Escola Veterinária de Alfort, na França, e voltou com o desejo de criar uma entidade semelhante.

Apesar de seu esforço, apenas no início do século 20, já na República, foram fundadas as duas primeiras instituições de Medicina Veterinária do País: a Escola de Veterinária do Exército, criada em 1910 e aberta em 17 de julho de 1914; e a Escola Superior de Agricultura e Medicina Veterinária, também criada em 1910, mas aberta em 4 de julho de 1913; ambas na cidade do Rio de Janeiro (RJ).

Pedro II foi o primeiro homem público a reconhecer a necessidade de organização do ensino científico da Medicina Veterinária

Já em 1911, a Congregação Beneditina Brasileira do Mosteiro de São Bento, em Olinda (PE), sugeriu a criação de uma instituição destinada ao ensino das Ciências Agrárias – Agronomia e Veterinária. Os cursos foram inaugurados, oficialmente, em 1914.

A imagem traz à direta o busto do capitão-médico João Muniz Barreto de Aragão. E a esquerda caixas de texto com fundo verde e os seguintes dizeres: No Brasil, os primeiros trabalhos científicos abrangendo a patologia comparada (animal e humana) foram realizados pelo capitão-médico João Muniz Barreto de Aragão, diretor da Escola de Veterinária do Exército, em 1917, no Rio de Janeiro.  É o Patrono da Medicina Veterinária Militar Brasileira, cuja comemoração se dá no dia 17 de junho, data oficial de inauguração da Escola de Veterinária do Exército (17/06/1914) e aniversário de Aragão. Comenda Muniz Aragão Clique e saiba mais sobre a premiação instituída pelo CFMV. O primeiro médico-veterinário formado e diplomado no Brasil foi Dionysio Meilli, em 1915, pela instituição de Ciências Agrárias, da Congregação Beneditina Brasileira do Mosteiro de São Bento, em Olinda (PE). A primeira mulher diplomada em Medicina Veterinária no Brasil foi Nair Eugenia Lobo, em 1929, pela Escola Superior de Agricultura e Veterinária, hoje Universidade Federal Rural do Rio de Janeiro (RJ).

Em São Paulo

A primeira instituição em São Paulo teve origem no Instituto de Veterinária, órgão subordinado à Secretaria de Agricultura do Estado. Criado pela Lei nº 1.597, de 31 de dezembro de 1917, funcionava nas dependências do Instituto Butantan. Com a função de desenvolver pesquisas para a prevenção de zoonoses e dar apoio ao Agronegócio, teve as atividades iniciadas em 1919.

A partir de 1924, passou a funcionar no bairro da Aclimação e quatro anos depois recebeu o nome de Escola de Medicina Veterinária. Em 1934, foi denominada Faculdade de Medicina Veterinária, sendo uma das seis unidades que deram origem à Universidade de São Paulo. Em 1969, agregou o curso de Zootecnia, do Instituto Butantan, e foi instalada no campus principal da Cidade Universitária.

A imagem traz do lado esquerdo a foto da primeira mulher a se formar no estado de São Paulo, em 1935, Virginie Buff D'Ápice. A profissional elaborou o primeiro projeto do Código de Deontologia e Ética Profissional, apresentado durante o V Congresso Brasileiro de Medicina Veterinária, em 1950, na capital paulista. A Biblioteca da FMVZ-USP leva o nome dela.  Clique e saiba mais.

Regulamentação da Medicina Veterinária

Apesar das primeiras escolas brasileiras datarem do início do século 20, o exercício da profissão só foi reconhecido em 9 de setembro de 1933, por meio do Decreto nº 23.133, assinado pelo presidente Getúlio Vargas, tendo como ministro da Agricultura Juarez do Nascimento Fernandes Távora, posteriormente, considerado patrono da Veterinária no Brasil.

O decreto legalizou e regulamentou o exercício da profissão de médico-veterinário, além de estabelecer as diretrizes do ensino na área, que deveria seguir o padrão da Escola Superior de Agronomia e Medicina Veterinária do Rio de Janeiro.

À época foi criada uma superintendência para reconhecer os diplomas, mas ainda faltava a fiscalização da atividade profissional. O cumprimento da legislação só se deu com a criação do Sistema CFMV/CRMVs (Conselho Federal e Regionais de Medicina Veterinária), por meio da Lei 5.517/1968, que dispõe também sobre o exercício da profissão de médico-veterinário no País.

A imagem traz o símbolo da Medicina Veterinária em destaque. Criado por concurso pelo CFMV e publicado pela Resolução n.º 609, de 15 de junho de 1994, o símbolo da Medicina Veterinária traz os seguintes elementos:  Bastão: representa a autoridade do profissional e seu apoio aos pacientes. De acordo com a mitologia, o bastão era feito de um galho de árvore, motivo pelo qual ele também representa a força da natureza e a capacidade curativa das plantas. Serpente: representa a prudência, a vigilância, a sabedoria, a vitalidade, o poder de regenerescência e preservação da saúde. A cor verde significa a vida vegetal, a juventude e a saúde. O branco, sendo a união de todas as outras cores, significa integração, luta pela vida e paz.

Da criação dos Conselhos

O primeiro passo neste sentido havia sido dado, em 1953, com a mobilização da classe em torno da elaboração de um projeto de lei, que reivindicava a instituição de uma entidade representativa, apresentado ao Congresso Nacional, em 1957.

O resultado só viria 11 anos mais tarde, fruto da luta de profissionais obstinados junto ao deputado federal Sadi Coube Bogado, com a promulgação da Lei nº 5.517, em 23 de outubro de 1968.

Da esq. para dir.: Os pioneiros Mario Nakano, José Américo Bottino, José Cezar Panetta, Osvaldo Domingues Soldado, Antonio Matera, José Eduardo Butolo, Waldemar Luís Naclério Torres, Omar Miguel, Jorge Antonio Chehade e Laerte Sílvio Traldi em Brasília Crédito: Acervo Pessoal / Mario Nakano

O Sistema CFMV/CRMVs, entretanto, foi estabelecido como autarquia federal, dotada de personalidade jurídica de direito público, adquirindo, então, autonomia técnica, administrativa e financeira, apenas a partir do Decreto nº 64.704, de 17 de junho de 1969.

Os primeiros Conselhos Regionais foram estabelecidos por meio da Resolução CFMV nº 05, de 28 de julho de 1969, de acordo com a competência delegada por lei, sendo inicialmente 14 CRMVs, designados pela ordem numérica e por região de atuação, todos localizados em capitais. Entre os Regionais criados estava o CRMV-4, posteriormente CRMV-SP, a ser responsável pela jurisdição do estado de São Paulo.

Conheça mais sobre a história da Medicina Veterinária e os 50 anos de atuação do Conselho Paulista

Linha do tempo Sistema CFMV/CRMVs

Poster 50 anos CRMV-SP

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