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O que é o Núcleo de apoio à saúde da família (Nasf)?

Eukira Enilde Monzani foi a primeira médica-veterinária a fazer parte de uma equipe do Nasf no estado de São Paulo
Crédito: Acervo CRMV-SP

Criados, em 2008, pelo Ministério da Saúde, os Núcleos de Apoio à Saúde da Família (Nasf) têm o objetivo de apoiar a consolidação da Atenção Básica no Brasil. São compostos por equipes multiprofissionais que atuam de forma integrada com as equipes de Saúde da Família.

Esse modelo multiprofissional permite realizar discussões de casos clínicos e a construção conjunta de projetos terapêuticos de forma a ampliar e qualificar as intervenções no território e na saúde de grupos populacionais. As ações também podem ser intersetoriais, com foco prioritário na prevenção e promoção da Saúde Pública.

A Portaria nº 2.488, incluiu, em 21 de outubro de 2011, os médicos-veterinários na equipe profissional. Conquista essa que veio por meio das constantes ações do Conselho Federal de Medicina Veterinária (CFMV) junto ao Ministério da Saúde e no Congresso Nacional.

A arte traz um mapa do Brasil indicando a quantidade de profissionais contratados para atuar no Nasf por Estado, sendo três no Amazonas, um em Roraima, um em Rondônia, um no Amapá, sete em Mato Grosso, sete no Pará, cinco no Tocantins, cinco em Goiás, 19 no Maranhão, 11 no Piauí, 11 no Ceará, seis no Rio Grande do Norte, sete na Paraíba, dois em Alagoas, dois no Sergipe, 12 na Bahia, 13 em Minas Gerais, um no Espírito Santo, quarto no Rio de Janeiro, 12 em São Paulo, 10 no Paraná, quatro em Santa Catarina e sete no Rio Grande do Sul. Ao lado, há o texto Núcleos de Apoio à Saúde da Família (Nasfs). Dados do Ministério da Saúde, de abril de 2019, apontam que há 161 médicos-veterinários atuando em 24 estados brasileiros O Nasf tem como responsabilidade atuar e reforçar as seguintes diretrizes na atenção à saúde: - a interdisciplinaridade - a intersetorialidade - a educação popular - o território - a integralidade - o controle social - a educação permanente em saúde - a promoção da saúde - a humanização Fonte: SCNES/MS (Abr. 2019)

Contribuição do médico-veterinário

Dentro do conceito de Saúde Única, o médico-veterinário é reconhecido como peça-chave, com um leque amplo de atuação junto aos demais profissionais. Sua inserção nos Nasfs foi determinante para o efetivo reconhecimento de sua contribuição na promoção da saúde.

A maior contribuição do médico-veterinário, segundo Adriana Maria Lopes Vieira, presidente da Comissão Técnica de Saúde Pública Veterinária (CTSPV) do CRMV-SP, é atuar na efetivação de ações visando à Saúde Única, não apenas junto aos demais profissionais da área da saúde e de outras áreas, aos gestores e, principalmente, junto à população, que ainda desconhece a amplitude de atuação da Medicina Veterinária.

O papel do médico-veterinário no Núcleo é o de apoiador, consultor e assessor. Sua responsabilidade não é atender demandas ambulatoriais. Ele deve compartilhar o seu saber específico com os demais profissionais da equipe

(Adolorata Aparecida Bianco Carvalho, integrante da CTSPV do CRMV-SP)

 No Nasf, o médico-veterinário deve ter capacidade de:

  • realizar diagnóstico de situação e avaliar fatores de risco à saúde relativos à interação entre humanos, animais e meio ambiente;
  • ter como atividade de base a educação em saúde com foco na promoção da saúde, prevenção e controle de doenças, em especial zoonoses, e demais riscos ambientais na área de abrangência;
  • deve orientar o manejo de resíduos e estar apto para identificar e instruir quanto a riscos de contaminação por substâncias tóxicas;
  • orientar sobre as doenças veiculadas por alimentos;
  • estar apto a responder às emergências de saúde animal e saúde pública e eventos de potencial risco sanitário, nas esferas local, estadual e nacional, de forma articulada com os setores responsáveis;
  • participar da discussão de casos clínicos complexos que exigem abordagens multidisciplinares e da elaboração e execução de projetos terapêuticos singulares.

Conquista feminina

Descalvado, a primeira cidade do estado de São Paulo a incluir um médico-veterinário na equipe de seu Núcleo de Apoio à Saúde da Família (Nasf), contou com a atuação de Eukira Enilde Monzani.

“No início, surgiram muitos questionamentos, mas com o tempo, tanto profissionais quanto a população foram entendendo a importância do médico-veterinário na saúde da família”, afirma Eukira, que iniciou as atividades no Nasf em 2012 e reitera a importância do trabalho, levando informação sobre zoonoses, vetores, DTAs e até em caso de desastres naturais.

Quem deseja ingressar na área deve buscar cursos e aperfeiçoamento específico sobre atenção básica

(Eukira Enilde Monzani)

O fato é que o leque de atuação do médico-veterinário é muito grande e a presença pioneira no Nasf é mais uma conquista feminina. Entretanto, a atuação desses profissionais ainda é restrita. No estado de São Paulo, que possui 645 municípios, há apenas 12 cidades com médicos-veterinários compondo as equipes dos Núcleos. Surpreendentemente, a Capital não faz parte desse rol.

A arte traz um mapa do estado de São Paulo com a marcação das cidades paulistas com médicos-veterinários em equipes do Nasf. São elas: Barbosa, Caiua, Descalvado, Guaimbe, Macatuba, Mairiporã, Mombuca, Oscar Bressane, Santa Clara D’Oeste, Tarabai, Valparaíso e Viradouro.

Atuação dos gestores

De acordo com a Organização Mundial da Saúde, mais de 60% das doenças infecciosas humanas têm sua origem em animais. Atualmente, existem cerca de 200 zoonoses. A importância da atuação do médico-veterinário dentro do conceito de Saúde Única é indiscutível e sua inclusão no Nasf é irrevogável, mas ainda falta uma maior conscientização.

Portanto, o gestor público deve ter consciência de que contratando médicos-veterinários para a Atenção Básica em Saúde, além da Vigilância em Saúde, o município terá seus custos em saúde diminuídos, uma vez que ações de prevenção de doenças e promoção à saúde reduzem o número de internações.

Prevenir é melhor que remediar! Nas últimas duas décadas, as doenças zoonóticas causaram perdas econômicas no valor de mais 100 bilhões de dólares, sem contar a pandemia de Covid-19, que poderá custar 9 trilhões de dólares nos próximos anos. Pelo mundo, as zoonoses correspondem a: 62% das doenças de notificação compulsória; 60% dos patógenos reconhecidos (vírus, bactérias, protozoários, parasitas e fungos); 70% das doenças emergentes; 60% das doenças infecciosas humanas são zoonóticas; 3 a cada cinco novas doenças humanas que aparecem por ano são de origem animal; 80% dos agentes com potencial de uso para bioterrorismo são zoonoses. Fontes: OIE, 2017 e ONU, 2020.

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