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História da zootecnia

Zootecnistas se reúnem na sede do CRMV-SP e formam a Associação Brasileira de Zootecnistas (1988)
Crédito: Acervo CRMV-SP

Após o desligamento da ciência que estudava a produção animal da área agronômica, Adrien Étienne Pierre, conhecido como Conde de Gasparin, por volta de 1843, criou, na França, a palavra “zootechnie”, formada pelos radicais gregos “zoon” e “techne”, para designar o conjunto de conhecimentos já existentes relativos à criação de animais domésticos.

A Zootecnia é o campo do saber que promove a criação animal de forma eficiente, justa, sustentável e ética

Em seu célebre livro Cours d’Agriculture (1ère edict. Paris, 1844, pág. 15), o Conde de Gasparin propunha a separação da produção vegetal da criação animal e defendia a necessidade de mudança de paradigma no entendimento do significado dos animais para a vida no planeta.

A Zootecnia como ciência, para a cultura latina, nasceu em 1848, na França, no Instituto Agronômico de Versalhes com o estabelecimento da disciplina destinada ao estudo da criação de animais domésticos. O Prof. Emile Baudement é considerado o primeiro mestre de Zootecnia.

O biólogo alemão Emile Baudement criou o conjunto de doutrinas com base em conceitos científicos e passou a ensinar a Zootecnia
A arte traz o verbete Zootecnia em destaque, emoldurado por uma borda vermelha com animais de produção, e os seguintes dizeres: Termo cunhado pelo Conde de Gasparin, origina-se do grego “zoon – animal” e “technê – arte”, que significa a arte de criar animais.

O termo Zootecnia ganhou repercussão e disseminou-se em países de língua portuguesa, castelhana e alemã, fortemente influenciados pela escola francesa. Já os países influenciados pela escola inglesa, estes não adotaram o termo, sendo utilizado, na tradução livre, ciência animal e cientista animal para a ciência e o profissional resultante da formação em Zootecnia, respectivamente.

No Brasil

Por volta de 1907, chega ao Brasil, Nicolau Athanassof, graduado em Gembloux, na Bélgica, para atuar como professor de Zootecnia na Escola Agrícola Luiz de Queiroz, em Piracicaba, interior de São Paulo.

No ano de 1910, ocorreu a primeira regulamentação do ensino agrícola superior. Havia, à época, cursos de Agronomia e de Veterinária, estes em menor número. Escolas agrárias foram sendo criadas, chegando a 20, em 1930.

Em 1951, foi criada a Sociedade Brasileira de Zootecnia (SBZ), congregando agrônomos e médicos-veterinários, que decidiram realizar a 1ª Reunião Anual da SBZ, em Piracicaba (SP), de 26 a 28 de julho de 1951, com o objetivo de apresentar e discutir trabalhos e pesquisas realizados na área da Zootecnia.

O Professor Octávio Domingues foi o primeiro presidente da SBZ, com mandato prolongado de 1951 a 1968
A arte traz um quadro informativo com as cores da Zootecnia (preto, branco e preto) e os seguintes dizeres: A implantação do ensino Agrário no Brasil 1877 – Escola Superior de Agricultura de São Bento das Lages – BA; 1891 – Escola Superior de Agricultura Eliseu Maciel – Pelotas-RS; 1901 – Escola Superior de Agricultura Luiz de Queiroz – Piracicaba-SP; 1908 – Escola Superior de Agricultura de Lavras – Lavras-MG.

Primeiro currículo

Sob a liderança do Professor Octávio Domingues, em 1953 foi proposto o primeiro currículo de formação em Zootecnia, o qual serviu de orientação para os primeiros cursos de graduação. Neste período, o grande volume de informações científicas geradas na área levou à criação da Zootecnia como um curso da área de Ciências Agrárias.

Zootecnia é a ciência que estuda os meios de promover a adaptação econômica do animal ao ambiente criatório, e deste àquele

O primeiro curso de Zootecnia, no Brasil, foi criado pela Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul (PUC-RS), na cidade de Uruguaiana (RS), no ano de 1966, coroando o esforço dos professores Mário Vilella e José Francisco Sanchotene Felice. Este fato ocorreu 13 anos após a primeira proposta curricular para um curso de Zootecnia ter sido elaborada.

Aula inaugural do curso de Zootecnia da PUC-RS, em 13 de maio de 1966, passou a ser considerada simbolicamente como o Dia do Zootecnista. Oficialmente instituído somente em 2018, com a promulgação da Lei nº 13.596.

O segundo curso foi implantado em 1969, na Universidade Federal Rural do Rio de Janeiro, na cidade do Rio de Janeiro (RJ); o terceiro, em 1970, na Universidade Federal de Santa Maria, na cidade de Santa Maria (RS); seguiram-se outros, como o da Universidade Federal de Viçosa, na cidade de Viçosa (MG), da Universidade Federal Rural de Pernambuco, na cidade de Recife (PE), e da Universidade Estadual Paulista, na cidade de Jaboticabal (SP).

A arte traz o símbolo da Zootecnia, criado pela Resolução CFMV nº 934, de 10 de dezembro de 2009, ao centro e uma meia mandala ao entorno com a explicação de cada um dos elementos que o compõem e o que representam: Aros externo e interno: na cor preta, indicam o processo de continuidade da vida e a integração entre todos os seres vivos e o meio ambiente.  Engrenagens: na cor preta, na parte inferior, contêm obrigatoriamente 13 dentes, número que faz alusão ao dia 13 de maio, dia do Zootecnista; além disso, remetem a interface desta área com as demais ciências agrárias. A palavra Zootecnia: na parte superior, entre os aros, indica objetivamente a ciência e a profissão que simboliza.  A letra Z: no centro, em último plano, na cor vermelha, representa sinteticamente a profissão. Trevo de três folhas: verde, ainda ao centro, em segundo plano, mostra a relação da Zootecnia com a produção vegetal destinada à produção animal. Perfil bovino estilizado: em primeiro plano, também remete à produção animal. Juntos, os três símbolos centrais representam a ideia geral da cadeia agroindustrial.

Regulamentação da Zootecnia

A profissão de Zootecnista foi regulamentada, em 4 de dezembro de 1968, pela Lei Federal 5.550, que estabeleceu também que o registro e fiscalização do exercício profissional ficariam também a cargo dos Conselhos de Medicina Veterinária, e não mais do Ministério de Agricultura.

O Sistema CFMV/CRMVs foi estabelecido como autarquia federal, dotada de personalidade jurídica de direito público, adquirindo, então, autonomia técnica, administrativa e financeira, a partir do Decreto nº 64.704, de 17 de junho de 1969.

Os primeiros Conselhos Regionais foram estabelecidos por meio da Resolução CFMV nº 05, de 28 de julho de 1969, de acordo com a competência delegada por lei, sendo inicialmente 14 CRMVs, designados pela ordem numérica e por região de atuação, todos localizados em capitais. Entre os Regionais criados estava o CRMV-4, posteriormente CRMV-SP, a ser responsável pela jurisdição do estado de São Paulo.

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Associação Brasileira de Zootecnistas (ABZ)

Primeiro zootecnista a ocupar o cargo de secretário-geral do CRMV-4, Jorge Luiz de Oliveira Corrêa lembra o apoio dado pelo Regional para a criação da Associação Brasileira de Zootecnistas (ABZ), em 24 de setembro de 1988.

O Conselho garantiu aos zootecnistas paulistas o suporte necessário para que as petições da categoria tivessem cunho oficial e fossem ouvidas e discutidas, gerando reflexos em todo País

Passado um mês da fundação, aprovação do estatuto e eleição da primeira composição de gestão e conselho fiscal da nova entidade, realizou-se em no dia 25 de outubro de 1988 a primeira reunião da diretoria executiva da associação, na sede do Conselho Regional de Medicina Veterinária do Estado de São Paulo, onde passou a funcionar a sede da ABZ, que posteriormente passou a ser itinerante.

 

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