A proliferação da mosca dos estábulos preocupa pecuaristas paulistas. O inseto é atraído pela vinhaça, um subproduto de usinas de cana.
Pecuaristas que têm o gado perto de usinas de cana-de-açúcar no noroeste de São Paulo estão tendo prejuízo. Os animais são constantemente atacados pelas moscas do estábulo e com isso perdem peso e ficam doentes. O inseto é atraído pela vinhaça, um subproduto das usinas.
Na propriedade da pecuarista Rosa Jacob o rebanho está fraco. Ela contou que o gado tem se alimentado cada vez menos por causa das moscas. Seis animais morreram em apenas uma semana. “O gado vai ficando fraco, vai dando uma anemia e eles vão morrendo”, contou.
Há prejuízos também com o rebanho leiteiro. As moscas incomodam as vacas o tempo todo, inclusive na hora da ordenha. Por isso, a produção de leite cai. Em uma das propriedades, a produção de área que era de 200 litros caiu pela metade. “Só este ano eu perdi mais de dez cabeças de gado na propriedade. A gente não sabe mais o que fazer”, falou o criador Adilson Beata.
Há pelo menos dois anos o rebanho das propriedades de Ouroeste sofre com os ataques das moscas de estábulo. A proximidade com a usina de açúcar e álcool explica o aparecimento das moscas. Elas são atraídas pela vinhaça, líquido usado como adubo nas plantações de cana.
“Essa população da mosca em grande quantidade do rebanho, chegando a cem ou 200 moscas por animal, provoca um estresse muito grande no animal devido à sua picada. Ela também transmite algumas doenças que provocam anemia no gado”, explicou o veterinário Cledson Rezende.
O uso da vinhaça no canavial é autorizado pela Cetesb, mas muitas usinas não cumprem as normas ambientais de aplicação desse tipo de fertilizante. O excesso de produtos jogado nas áreas é tanto que é facilmente encontrado o líquido empossado.
O diretor da usina de Ouroeste disse que desde o início do ano a empresa contratou especialistas para combater a mosca no campo. Ele falou ainda que várias medidas já foram adotadas. “Nós temos já uma equipe composta e coordenada por um engenheiro agrônomo com dois pesquisadores para levantar dados sobre a mosca de estábulo nas propriedades, na própria área de vinhaça. Para o combate direto à mosca, nós temos uma equipe de quatro profissionais aplicando defensivos nos possíveis defensores da mosca”, esclareceu Celso Sposito Reinaldo diretor da usina.
O Ministério Público de Ouroeste instaurou inquérito civil para investigar o caso e enviou um ofício à Cetesb, Companhia Ambiental de São Paulo, solicitando uma vistoria nas propriedades que enfrentam problemas com a mosca do estábulo.
Fonte: Globo Rural (Acessado em 25/11/09)