O manejo adequado das pastagens, o abate de animais mais jovens e a engorda intensiva foram os caminhos apontados por especialistas para alcançar uma pecuária competitiva com menor emissão de carbono. Os dados foram apresentados em São Paulo, durante painel que discutiu os desafios para uma pecuária de baixo carbono, no Fórum Internacional de Estudos Estratégicos para Desenvolvimento Agropecuário e Respeito ao Clima, (Feed 2011), promovido pela Confederação Nacional da Agricultura e Pecuária (CNA).
Até 2020 a demanda mundial por carne bovina deve saltar dos atuais 64 milhões de toneladas para 73 milhões de toneladas. De acordo com Maurício Palma Nogueira, da Bigma Consultoria, para atender esta demanda, o Brasil precisa investir em tecnologias para melhorar a eficiência na reprodução das matrizes, assegurar pastagens de melhor qualidade e aumentar a capacidade de produção por hectare.
Palma Nogueira apresentou como exemplo o trabalho realizado em uma fazenda no interior de São Paulo, em que, por meio de um processo de manutenção das pastagens, foi possível ampliar de 12 arrobas para 37 arrobas a produção por hectare. “Além de aumentar a produtividade, com o manejo adequado dos pastos é possível reduzir a emissão de carbono”, disse. Segundo o especialista, sem o uso adequado de tecnologia nas pastagens, o Brasil perde em produtividade para economias como a China e os Estados Unidos.
Outro instrumento mal aproveitado na pecuária brasileira é a engorda intensiva. De acordo com o professor do Departamento de Zootecnia da Escola Superior de Agricultura Luiz de Queiroz (Esalq), da Universidade de São Paulo (USP), Dante Pazzanese Lanna, no Brasil, apenas 10% dos animais são confinados, enquanto que nos EUA esse número chega a 95%. Na Argentina e Austrália, 60% do rebanho é confinado ou recebe altas doses de grão na fase final da terminação. “O consumo de fibra, que é o caso do nosso gado criado a pasto, além de retardar o processo de engorda, aumenta a emissão de metano”, apontou Pazzanese.
Outra vantagem do confinamento é a possibilidade de abater animais mais jovens e mais pesados. “Na Europa, os animais são abatidos com 22 arrobas, no Brasil, com o sistema de pastagens o animal vai para o gancho com peso médio de 18 arrobas.”
Para aumentar o peso dos animais, a utilização do aditivo beta-agonista foi apresentado como uma solução. Estudos mostram que o composto aumenta a conversão alimentar em até 8%. Reportagem de capa da revista DBO de agosto mostra que os aditivos já são usados com sucesso desde 2002 na engorda de suínos e poderiam aumentar em até 25% o resultado da engorda intensiva de bovinos.
O desafio para o setor é convencer o governo e a opinião pública que o aditivo não é um anabolizante. “No Brasil, sem nenhum conhecimento técnico ou científico, cria-se uma imagem irreal dos produtos”, afirmou o presidente do Fórum Nacional Permanente da Pecuária de Corte da CNA, Antenor Nogueira.
Nogueira lembrou que os aditivos já são usados nos confinamentos norte-americanos e que, se a tecnologia já fosse liberada no Brasil, a produção de carne bovina poderia ser ainda maior. “Estudos científicos já provaram a eficiência do aditivo e estamos com o firme propósito de pautar nossas demandas exclusivamente na ciência para defender o pecuarista” concluiu.
Fonte: Portal DBO (acessado em 09/09/2011)