Muitas pessoas desconhecem, mas é possível realizar doação de sangue para cães. Essa informação muitas vezes pode ser recebida com um certo espanto, já que nem todos estão acostumados com essa evolução nos tratamentos para os animais.
A doação pode ser realizada em clínicas ou hospitais veterinários e os “potenciais doadores”, como são chamados os cães que estão aptos a fazer a doação, ainda são minoria.
A falta de informação dos proprietários preocupam os médicos veterinários, principalmente na cidade de Ribeirão Preto, onde não existe ainda um banco de sangue. Pelo menos dois hospitais-escola veterinários, do Centro Universitário Barão de Mauá e do Moura Lacerda, realizam esse tipo de procedimento na cidade.
De acordo com a médica veterinária Gabriela Junqueira, do Hospital Veterinário do Centro Universitário Barão de Mauá, a transfusão é realizada quando o cachorro apresenta quadros de anemia, aplasia de medula, hemoparasitoses (como a doença do carrapato) e quando sofre algum tipo de acidente e perde muito sangue.
Como acontece com os homens, os cachorros não possuem uma tipagem sanguínea e a compatibilidade do sangue é realizada por meio de reação cruzada, que consiste na mistura dos sangues do doador e do receptor para ver se há algum tipo de reação.
“Nós fazemos a coleta e pedimos para o proprietário levar o receptor. Após esse procedimento, é realizada a reação cruzada para ver se o sangue é compatível. Se estiver tudo bem, a transfusão é feita na hora”, relata a veterinária.
Segundo a auxiliar de veterinária, Rosélia Araújo, do Núcleo Hospitalar Veterinário do Moura Lacerda, leva cerca de meia hora para colher o sangue do doador.
Para que o cão possa se tornar um doador, é preciso que ele esteja dentro dos padrões estipulados. É necessário ter mais de 25kg, estar em boas condições físicas, ter idade entre 1 e 8 anos e estar com a vacinação em dia. Realizada a doação, o cão pode repetir o procedimento só depois de seis meses.
Além disso, são realizados exames para verificar se os cães não estão com anemia, plaquetas baixas e falta de resistência.
Todo o custo dos procedimentos são pagos pelo dono do receptor. A transfusão fica em torno de R$ 200, pois são cobrados os exames do doador, do receptor e todo o material utilizado. Para o proprietário do doador, o procedimento é gratuito.
Como ainda não há um banco de sangue em Ribeirão Preto, Gabriela afirma que é feita uma lista com os nomes dos animais e de seus proprietários para quando houver necessidade.
Mas essa lista está cada vez menor, já que o número de doadores nem sempre é suficiente para atender a demanda. “Sempre é uma dificuldade para encontrar doador. Toda semana tem um animal que precisa de transfusão”, diz Gabriela.
A legislação proíbe que animais sejam mantidos apenas para serem doadores e talvez seja esse e o tempo que o cão precisa ficar sem doar sangue os principais motivos para essa escassez.
A falta de conscientização da população para esse tipo de problema é outra questão a ser discutida. Sem contar que não existe nenhuma campanha para incentivar os proprietários de cães a levarem seus animeis para contribuir.
“Quem se interessar é preciso ligar para que a gente possa agendar um horário pois tem vários procedimentos a serem realizados antes da coleta”, afirma Rosélia.
Fonte: Ribeirão Preto Online (acessado em 25/11/09)