Indústria avalia a construção de fábrica de nutrientes para ração

As empresas ligadas ao segmento de nutrição animal estudam alternativas para reduzir a dependência de nutrientes importados, especialmente da China, para a composição dos produtos utilizados na alimentação de aves, bovinos e suínos no Brasil. Entre as possibilidades que mais amadureceram nos últimos meses, está a construção de uma indústria de química fina. O empreendimento poderia substituir as importações desse tipo de produto, que somam US$ 1 bilhão por ano.

O projeto está sendo desenhado pelo Sindirações – Sindicato Nacional da Indústria de Alimentação Animal, que já constatou o interesse de pelo menos dez associados dispostos a investir em uma nova fábrica. Sem revelar quais são as empresas envolvidas, o vice-presidente do Sindirações, Ariovaldo Zanni, informa apenas que são multinacionais atuantes no segmento de nutrição humana e animal no Brasil, mas que dependem de componentes importados para formulação de seus produtos.

“Por enquanto, estamos na fase de estudo de viabilidade. Já passamos dados de mercado para o governo, que nos pediu para avaliar os pontos fracos e fortes, além das ameaças e oportunidades que uma indústria dessa poderia trazer para o mercado”, afirma Zanni.

As negociações com o governo envolvem três ministérios – Fazenda, Agricultura e Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior. Essa aproximação não é por acaso. Mesmo com o interesse, o setor privado cobra uma contrapartida que passa por vantagens fiscais e tributárias, bem como financiamentos públicos, vindos principalmente do BNDES – Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social.

Ao que tudo indica, o Brasil já tem uma certa estrutura que permite a instalação de uma indústrias de química fina no país. A principal delas é a própria Petrobrás, que produz a matéria-prima necessária para abastecer a indústria, a partir da síntese do petróleo. “A Renai – Rede Nacional de Informação sobre o Investimento está acompanhando de perto todo o processo e analisando de onde poderiam vir os incentivos”, diz Zanni.

Esses produtos importados são aditivos, misturados às rações formuladas para alimentação animal. Entre os principais estão vitaminas e aminoácidos, que são utilizados para melhorar o desempenho produtivo dos animais e considerados estratégicos pela indústria. “Até 2050 a demanda por carnes vai crescer 70% sobre o que se produz hoje. Não há como praticamente dobrar a produção sem o uso desse tipo de tecnologia para atender aos critérios sustentáveis de produção”, afirma Zanni.

Além de reduzir as importações do setor, a produção desses nutrientes no Brasil diminuiria a dependência nacional dos fornecedores estrangeiros. O executivo do Sindirações lembra que no período dos jogos olímpicos de Pequim, os fornecedores chineses – que respondem por 30% do abastecimento brasileiro – simplesmente deixaram de exportar por aproximadamente seis meses, para reduzir o volume de emissões e contribuir para o controle da poluição.

“Os nutrientes são para a pecuária o que os fertilizantes são para a agricultura. Não podemos correr o risco de ficar desabastecidos”, afirma Zanni.

Fonte: Revista Porkworld (acessado em 25/02/10)

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