O trabalho com animais de criação é outra vertente visada pelos médicos-veterinários, segundo Renato Brescia Miracca, membro da Comissão Técnica de Clínicos de Pequenos Animais do Conselho Regional de Medicina Veterinária do Estado de São Paulo (CRMV-SP) e consultor parceiro da Comissão de Animais de Companhia (Comac).
A dimensão desse campo pode ser medida a partir dos dados de 2017, da Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA). No que diz respeito à Bovinocultura de corte, o Brasil possui o maior rebanho comercial do mundo, com 220 milhões de cabeças, e é também o maior exportador mundial de carne bovina.
O levantamento da CNA aponta que, no ano passado, o País somou 24 milhões de bovinos abatidos, o que representa uma queda de 19% em relação a 2016. Em contrapartida, exportou 1,4 milhão de toneladas de carne, uma alta de 9% comparado ao ano anterior.
Além da Bovinocultura, o médico-veterinário ainda tem campo na criação de outros animais, como ovinos, caprinos, suínos e aves. “Apesar desse mercado ser atrativo, há profissionais que se sentem constrangidos em atuar com animais de produção, seja pela ideia de missão de salvar vidas, seja pela pressão da proteção animal que cresceu nos últimos anos”, afirma Miracca


(Renato Brescia Miracca)
Instituições de ensino
O Brasil possui 307 faculdades de Medicina Veterinária e 179 mil profissionais, dos quais 121 mil estão ativos. No estado de São Paulo, são 57 escolas, mais de 42 mil profissionais registrados, sendo 32 mil ativos.
Já nos Estados Unidos, por exemplo, são apenas 31 graduações em Medicina Veterinária e 107 mil profissionais. O número de faculdades no Brasil supera ainda o de toda a Europa, atualmente com 111 escolas.
Missão
Muito mais importante do que a quantidade de cursos é a qualidade que eles possuem. E nesse contexto inclui-se a missão das instituições de ensino em expandir a visão dos alunos, fomentando inovação e olhar estratégico.
De acordo com o Prof. Dr. Fábio Manhoso, presidente da Comissão Técnica de Homeopatia Veterinária do CRMV-SP e coordenador do curso de Medicina Veterinária da Universidade de Marília (Unimar), embora o Ministério da Educação estabeleça que a formação do médico-veterinário seja generalista, com frequência as faculdades falham, não fomentando o interesse dos alunos nessas áreas tão promissoras e que demandam mais profissionais.
Amplitude de funções
“As instituições precisam estar antenadas às necessidades do mercado, lembrando que, em todas as áreas, o médico-veterinário atua no sentido da saúde pública, o que é de um olhar humanístico considerável”, afirma Manhoso.
Ele acredita que a amplitude de funções que o médico-veterinário está apto a exercer deve, inclusive, ser alvo de divulgação das instituições de ensino ao público, o que contribuiria não só para a valorização profissional, como para despertar o interesse pela profissão de uma forma mais consciente.