Um ano depois de mudar a estratégia de vacinação contra a febre aftosa, reduzindo as doses de duas para uma em animais com mais de 24 meses de idade, o Paraná vai pedir hoje ao Ministério da Agricultura a suspensão das aplicações no Estado. A decisão foi tomada recentemente e será formalizada ao ministro Reinhold Stephanes após encontro pela manhã de membros do Conesa – Conselho Estadual de Sanidade Agropecuária, que reúne instituições públicas e privadas e vai avaliar os procedimentos que serão tomados pelo governo do Estado após o fim das campanhas de vacinação.
“Será o segundo Estado brasileiro e o primeiro deles com expressão em bovinocultura de corte a solicitar o reconhecimento de área livre de febre aftosa sem vacinação”, diz texto sobre o assunto distribuído pela Secretaria da Agricultura do Paraná. O primeiro Estado a suspender as aplicações foi Santa Catarina. A intenção da medida é melhorar o comércio nacional e internacional de carnes do Paraná. “É isso que queremos. Temos fronteiras, vamos correr riscos, mas eles foram bem avaliados”, diz o presidente do Sindicarne – Sindicato da Indústria de Carnes e Derivados no Estado do Paraná, Péricles Salazar.
O secretário da Agricultura do Estado, Valter Bianchini, argumentou que o pedido será feito após mais de 40 anos de campanhas de vacinação, que até o ano passado eram feitas duas vezes ao ano para todos os animais. A partir de maio de 2009, animais com mais de 24 meses passaram a receber a dose de prevenção contra a doença uma vez por ano, em novembro.
O último registro de febre aftosa no Estado aconteceu em 2005, depois de confirmados casos da doença em animais de fazendas de municípios do Mato Grosso do Sul, vizinhas ao Paraguai e separadas do Paraná pelo Rio Paraná.
Bianchini evita falar sobre o episódio que levou a uma disputa entre o Ministério da Agricultura e o governo do Paraná, que negava a ocorrência do foco. Segundo ele, o ministério conhece os planos do Estado, que estão sendo tocados há três anos. “Acreditamos no sucesso da decisão e vamos aumentar as exportações”, disse.
O próximo passo é buscar o reconhecimento da OIE – Organização Mundial de Saúde Animal. Segundo Bianchini, a vacinação será substituída por um sistema de vigilância e controle de trânsito de animais. A intenção é suspender a aplicação da vacina a partir de junho, após vistoria do ministério em estrutura de pessoal e equipamentos de controle. A campanha de maio será feita.
Fonte: Revista Porkworld (acessado em 01/03/10)