A tilapicultura passa por um bom momento no Brasil e no Estado de São Paulo. Produtores pequenos estão começando na atividade e os grandes estão ampliando suas produções, seja por meio do aumento do número de tanques-rede ou pela mecanização dos empreendimentos. É o que mostra estudo do pesquisador Fábio Rosa Sussel, do Polo Centro Leste/APTA Regional da Secretaria de Agricultura e Abastecimento.
O destaque vai para as pisciculturas que estão buscando a verticalização da produção, ou seja, investindo em fábrica de ração, frigorífico e produção de alevinos. É o caso do maior polo paulista de produção de tilápias, localizado nos reservatórios do rio Paraná, rio Grande e baixo rio Tietê na região de Santa Fé do Sul, Noroeste do Estado.
Outros polos brasileiros da tilapicultura são o Nordeste e o Oeste do Paraná. O polo do Nordeste é compreendido pelos reservatórios do rio São Francisco (região de Paulo Afonso-BA) e os grandes açudes do Estado do Ceará (Castanhão, Orós e Sítios Novos). Já o polo do Oeste paranaense se caracteriza pela produção de tilápias no sistema de tanques escavados. Há tendência ainda de expansão nos reservatório de Furnas e Três Marias, no Estado de Minas Gerais, e também no reservatório Serra da Mesa, Estado de Goiás.
Polos paulistas
Em São Paulo, três pólos de produção (Noroeste Paulista, Médio Paranapanema e Vale do Paraíba) apresentam características próprias e relativamente distintas, explica Sussel. “O sistema de produção e a modalidade de comercialização que dão certo em uma região não necessariamente dão certo em outra. Há questões climáticas, disponibilidade de água, preço de ração, preço de venda e logística que interferem nos sistemas produtivos. Porém, o importante é cada polo de produção se adequou a sua realidade. O fato é que todos os tilapicultores estão relativamente satisfeitos com a atividade”, afirma ele.
A tilápia está presente em todos os microclimas do Estado por ser uma espécie que tolera a variação de grandes amplitudes de temperatura da água, assim como oxigênio dissolvido e qualidade de água, desde as regiões mais frias do Vale do Paraíba até as mais quentes do noroeste paulista, relata Sussel.
“Entretanto, há regiões em que essa espécie se adaptou melhor e que, aliada à consolidação a cadeia produtiva (produtores de alevinos, fábricas de ração e demais fornecedores de insumos), fez com que essas regiões se tornassem verdadeiros pólos de produção”, diz ele.
No polo Noroeste Paulista, o sistema de produção mais praticado é o de tanques-rede instalados em reservatórios de usinas hidroelétricas. Grande parte são tanques com volume que varia entre seis e 20 metros cúbicos. “Entretanto, algumas pisciculturas já estão adequando suas instalações para produzir no mesmo sistema utilizado na salmonicultura do Chile, ou seja, tanques em PEAD (Polietileno de Alta Densidade) de 240 a 300 metros cúbicos, com máquina de despesca, classificador e alimentadores automáticos”, explica Sussel.
O Noroeste responde por 65% da produção paulista de tilápias, estimada atualmente em torno de 1.500 toneladas/mês. Já as tilapiculturas instaladas ao longo do rio Paranapanema formam o segundo polo produtor. A região de São José dos Campos e Taubaté é o terceiro pólo de produção, principalmente por estar próxima ao mercado consumidor. No Vale do Ribeira, no Centro-Oeste do Estado, e na região de Jundiaí, também há tilapiculturas instaladas, porém com produções não tão expressivas.
Cerca de 70% da tilápia paulista são processados em frigoríficos de peixe e comercializados na forma de filé nas grandes redes de supermercados. O restante é comercializado como peixe inteiro na Companhia de Entrepostos e Armazéns Gerais de São Paulo (Ceagesp), ou como peixe vivo nos pesque-pagues (turismo rural).
Fonte: Secretaria de Agricultura e Abastecimento de São Paulo (acessado em 01/08/2011)