A restrição da venda de cortes de frango temperados no mercado interno vai estabilizar as vendas e ajudar a normalizar os preços do frango in natura. Essa é a opinião de Erico Pozzer, presidente da Associação Paulista de Avicultura (APA) e diretor da Cooperativa Holambra. “O preço vai subir com a presença de um só produto no mercado. Teremos um preço único de referência, o do frango in natura, de qualidade comprovada”, afirma ele.
Pozzer é a favor da medida do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa), uma vez que o controle de qualidade do frango agora seguirá normas únicas. “Talvez o frango temperado volte ao mercado, mas só depois de serem discutidas e aprovadas metodologias de fiscalização deste tipo de produto. Mas isso demora muito tempo”, explica.
O Centro de Estudos de Economia Aplicada (Cepea) acredita que o frango temperado estocado, que deve “sumir” do mercado em até 60 dias, vai concorrer com o in natura. Pozzer pensa diferente, uma vez que há baixo estoque de produtos avícolas e esta oferta extra deve influenciar o mercado em uma ou duas semanas. A opinião do presidente da APA está alinhada à da União Brasileira de Avicultura (UBA), que após reunião com seus associados e por maioria de votos dos presentes, decidiu acatar ao pedido feito pelo Mapa. A entidade nacional pontuou ainda que está desenvolvendo um método de aferição de temperos nos produtos avícolas, numa parceria entre o Mapa e o Instituto de Tecnologia de Alimentos (Ital).
Dilvo Grolli, diretor presidente da Coopavel, é outro representante do setor avícola que vê com bons olhos a medida. “A proibição vem de encontro ao pedido de várias entidades nacionais para proteger as empresas que trabalham corretamente e também ao consumidor. Muitas vezes os frangos e cortes temperados vêm acompanhados de uma grande quantidade de condimentos líquidos, à base de água, e confundem os consumidores com relação ao preço do produto comparado ao produto que não possui esta característica”, afirma Grolli.
Segundo o diretor presidente da Coopavel, a proibição vai beneficiar a cooperativa, que não trabalha com produto injetado. “Acredito que a proibição é muito justa para a moralização do mercado”.
Fonte: Portal do Agronegócio (acessado em 05/03/10)