Uma pesquisa realizada na Faculdade de Ciências Agrárias e Veterinárias da Unesp de Jaboticabal (SP) comprova que a inclusão de subprodutos do biodiesel na alimentação de cordeiros ajuda a baratear a dieta do plantel e resulta em uma carne de melhor qualidade, com menor teor de gordura.
A pesquisa, que teve apoio da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (Fapesp), foi feita com animais confinados da raça santa inês, todos machos.
Ao comparar a dieta alternativa à alimentação convencional normalmente dada a cordeiros confinados, constatou-se que os subprodutos de oleaginosas podem substituir, com vantagem, a alimentação tradicional, que contém gordura protegida processada industrialmente.
Os resultados também comprovaram o aumento do nível do colesterol bom da carne, a redução de gorduras trans e a elevação dos ácidos graxos poli-insaturados. “O óleo obtido das tortas ou dos grãos de oleaginosas contém uma gordura protegida, chamada de bypass, que não é aproveitada no estômago e chega ilesa ao intestino. Isso resulta em uma carne mais saudável, com menos colesterol”, explica a coordenadora da pesquisa, Jane Maria Bertocco Ezequiel. Além disso, segundo a pesquisadora, esses subprodutos são ricos em ácido graxo palmitoléico, outro aliado no controle do colesterol.
O óleo pode ser também uma alternativa ao farelo, que custa caro para o produtor. “Comprar os grãos para prensá-los na propriedade sai muito mais em conta”, diz ela.
A pesquisadora explica que o próprio criador pode adquirir no mercado uma prensa para extrair o óleo. “Ao passar os grãos na prensa, de um lado sai o óleo, do outro sai a torta.” Ela lembra que a torta não pode ser armazenada por muito tempo. Depois de aproximadamente uma semana, ela perde as propriedades, fica rançosa e deve ser descartada.
Para o produtor, de acordo com a pesquisadora, adotar uma dieta à base de subprodutos de oleaginosas também pode ser vantajoso em um sistema de produção que integre, por exemplo, o cultivo de oleaginosas e a criação de ovinos. “Ele pode produzir combustível para o maquinário e ainda reduzir os gastos com a nutrição do plantel, item que representa boa cota dos custos de produção.”
Fonte: O Estado de São Paulo (acessado em 24/11/10)