O carnaval é um período marcado por festas, viagens e mudanças na rotina alimentar da população. Durante a folia, cresce o consumo de alimentos fora de casa, seja em bares, restaurantes, blocos de rua ou comércio ambulante, o que exige atenção redobrada à segurança alimentar. As altas temperaturas e a grande circulação de pessoas favorecem a contaminação e a deterioração de alimentos, especialmente os de origem animal.
De acordo com o Ministério da Saúde, as doenças transmitidas por alimentos (DTAs) são causadas, principalmente, pelo consumo de produtos contaminados por microrganismos patogênicos, toxinas ou substâncias químicas. No verão e em períodos festivos, como o carnaval, o risco aumenta devido à conservação inadequada, falhas na higiene e exposição prolongada dos alimentos à temperatura ambiente.
Segundo a médica-veterinária Sibele Konno, presidente da Comissão Técnica de Animais de Companhia do Conselho Regional de Medicina Veterinária do Estado de São Paulo (CRMV-SP), os cuidados devem começar ainda na escolha dos alimentos. “É fundamental observar a procedência, as condições de armazenamento, o tipo de preparo e a higiene do local e dos manipuladores, principalmente quando se opta por refeições fora de casa”, orienta.
O armazenamento e a conservação inadequada de alimentos de origem animal favorecem a proliferação de microrganismos que podem causar infecções graves. O médico-veterinário Leandro Haroutune, integrante da Comissão de Animais de Companhia, explica que bactérias como Salmonella spp., Escherichia coli, Staphylococcus aureus, Listeria spp. e Clostridium botulinum encontram no calor e na umidade condições ideais para se multiplicar. “Esses microrganismos podem provocar quadros de vômitos, diarreia, febre e desidratação que, em casos mais graves, evoluem para complicações sérias”, enfatiza.
Além disso, a cocção inadequada, o reaquecimento incorreto e o tempo prolongado de exposição dos alimentos fora de refrigeração aumentam significativamente o risco de contaminação, tornando indispensável o cuidado tanto por parte dos estabelecimentos quanto dos consumidores.
Manter hábitos simples, como higienizar as mãos, escolher com cuidado onde se alimentar e evitar o consumo excessivo de bebidas alcoólicas, contribui para a prevenção de doenças durante o carnaval.
Armazenamento e conservação exigem atenção redobrada
As altas temperaturas típicas do carnaval favorecem a rápida deterioração dos alimentos de origem animal. Para reduzir os riscos é fundamental manter refrigeradores em temperaturas abaixo de 5 °C e freezers a –18 °C, evitando que os alimentos permaneçam fora da refrigeração por mais de duas horas.
Leandro Haroutune reforça que a cocção adequada e o reaquecimento correto dos alimentos são medidas essenciais para a segurança alimentar. “O preparo correto elimina grande parte dos microrganismos, mas quando o alimento é mal armazenado após o cozimento, o risco de contaminação retorna”, explica.
O que observar ao consumir alimentos fora de casa
Ao consumir alimentos em bares, restaurantes ou de vendedores ambulantes, é importante observar as condições de higiene do local, dos utensílios e dos manipuladores, além da forma de preparo e exposição dos produtos. Ambientes sujos, presença de insetos ou animais próximos à comida, e ausência de refrigeração adequada são sinais de alerta.
“É essencial estar atento à aparência, ao cheiro e às condições de armazenamento dos alimentos. Atitudes simples ajudam a reduzir significativamente os riscos de intoxicação alimentar”, alerta Haroutune.
Recomendações para uma alimentação mais segura
Ao adquirir alimentos industrializados, dê preferência àqueles que apresentem rotulagem completa, com informações sobre procedência, data de validade, composição e valores nutricionais. Alimentos de origem animal devem, obrigatoriamente, possuir registro no órgão fiscalizador competente, como o Sistema de Inspeção Federal (SIF), o Sistema de Inspeção de São Paulo (SISP), e o Sistema de Inspeção Municipal (SIM) e, quando aplicável, o Sistema Brasileiro de Inspeção de Produtos de Origem Animal (Sisbi) ou Selo Arte.
No caso específico de alimentos de origem animal, é fundamental verificar se o produto possui registro no órgão fiscalizador competente, como o Sistema de Inspeção Federal (SIF), o Sistema de Inspeção de São Paulo (SISP), o Sistema de Inspeção Municipal (SIM) e, quando aplicável, o Sistema Brasileiro de Inspeção de Produtos de Origem Animal (Sisbi) ou Selo Arte.
De acordo com o médico-veterinário Affonso dos Santos Marcos, presidente da Comissão de Segurança dos Alimentos e Fiscalização do CRMV-SP, os cuidados durante o Carnaval devem estar baseados em três pilares: origem, higiene na manipulação e conservação adequada dos alimentos.
“Consumir apenas alimentos de origem conhecida é essencial. No caso dos produtos de origem animal, é importante verificar se possuem selo de inspeção. Em ambientes de rua, o consumidor deve observar se quem prepara ou serve os alimentos utiliza utensílios limpos e mantém o local higienizado, além de evitar carnes cruas ou malcozidas, já que o risco de contaminação por bactérias como Salmonella e E. coli é maior. Também é fundamental verificar se os alimentos estão armazenados em recipientes fechados e, se possível, em caixas térmicas com gelo, evitando consumir produtos que ficaram expostos ao calor por muito tempo”, orienta.
No comércio ambulante, observe se os alimentos estão protegidos contra poeira, insetos e outras formas de contaminação, e se os manipuladores utilizam vestuário adequado, como roupas limpas, calçados fechados, toucas e luvas, além de evitarem o uso de acessórios durante o manuseio.
Redobre a atenção com alimentos mais sensíveis, como maioneses, saladas, sanduíches e cremes, que se deterioram rapidamente quando malconservados. Também é fundamental consumir água potável, preferencialmente filtrada ou fervida, manter uma boa hidratação e descartar o lixo em locais apropriados, evitando a atração de insetos e animais, assim como a infecção por zoonoses.