Em um momento decisivo para o futuro da Medicina Veterinária no Brasil, a escolha consciente da instituição de ensino assume papel estratégico na formação de profissionais aptos a atender às demandas da sociedade. O avanço do Projeto de Lei nº 4.262/2023, que institui o Exame de Proficiência, aliado à atualização do Plano Nacional de Educação (PNE), amplia o debate sobre a qualidade dos cursos ofertados no País. Para o Conselho Regional de Medicina Veterinária do Estado de São Paulo (CRMV-SP), infraestrutura adequada, ensino presencial e atividades práticas contínuas são requisitos essenciais para garantir uma atuação técnica, ética e segura.
A Medicina Veterinária está diretamente ligada ao conceito de “Uma Só Saúde”, integrando saúde animal, humana e ambiental, o que torna a formação acadêmica um fator determinante para a proteção da saúde pública e do bem-estar coletivo. A presença de atividades práticas desde os primeiros semestres e a disponibilidade de infraestrutura adequada, como hospitais veterinários, laboratórios e fazendas-escola, são critérios indispensáveis para a qualidade da formação.
Ao avaliar os impactos da ausência dessas estruturas, a coordenadora técnica médica-veterinária do Conselho, Carla Maria Figueiredo de Carvalho, reforça que “a falta, ou mesmo ausência, de estruturas adequadas, como clínicas e hospitais veterinários, laboratórios e fazendas-escola, compromete a qualidade e a excelência do ensino da Medicina Veterinária”, o que, segundo ela, resulta na formação de profissionais com conhecimento deficitário e experiência prática limitada.
Esse cenário, alerta a médica-veterinária, amplia os riscos ocupacionais e favorece falhas diagnósticas e terapêuticas, com consequências diretas para a saúde animal e a saúde pública. Considerando a natureza essencialmente prática do curso, Carla destaca, ainda, que o desenvolvimento das competências profissionais depende do uso contínuo de unidades de ensino e assistência. “A excelência da infraestrutura está diretamente relacionada à proficiência do profissional e à segurança no exercício da Medicina Veterinária”, afirma.
A presidente da Comissão Técnica de Educação do CRMV-SP, Maria Lucia Zaidan, acrescenta que as Diretrizes Curriculares Nacionais (DCNs) são claras ao exigir integração efetiva entre teoria e prática, com presença física, casuística real e supervisão permanente, não sendo compatíveis com modelos formativos excessivamente remotos.
Bem-estar animal, ética profissional e avaliação de competências
A inclusão do bem-estar animal como diretriz estruturante do Plano Nacional de Educação representa um avanço significativo para a qualificação da formação veterinária. Sobre esse ponto, Carla Maria ressalta que “a atuação do médico-veterinário deve ser pautada no zelo e na melhoria de sua capacidade à assistência aos animais, garantindo condições adequadas de saúde física, mental e comportamental”, pois, o princípio do bem-estar animal já está consolidado na prática profissional e deve orientar a formação desde a graduação.
A coordenadora técnica do CRMV-SP explica que essa diretriz exige que as instituições de ensino incorporem disciplinas específicas sobre bem-estar animal, bioética e legislação, além de promover a transversalidade do tema ao longo do curso, preparando o futuro profissional para identificar situações de estresse, sofrimento e maus-tratos.
Nesse contexto, a futura implementação do Exame de Proficiência desponta como um instrumento central para verificar se o egresso reúne as competências técnicas, práticas e éticas exigidas pela sociedade. “O exame garante um padrão elevado de qualificação e atua como instrumento de proteção social, considerando o papel essencial da Medicina Veterinária na vigilância sanitária e na ‘Uma Só Saúde’, ao cumprir uma função estratégica de assegurar que o exercício profissional seja destinado apenas a quem comprova formação adequada”, reforça Carla Maria.
A melhor escolha
Ao analisar a relação entre formação acadêmica e desempenho profissional, a presidente da Comissão de Educação do CRMV-SP, Maria Lucia Zaidan, afirma que a escolha da instituição de ensino é determinante tanto para o desempenho no Exame de Proficiência quanto para uma atuação ética e segura. “A integração efetiva entre teoria e prática fortalece o raciocínio técnico, a tomada de decisão e a compreensão das responsabilidades legais e sanitárias da profissão, sendo justamente esse conjunto de fatores, que permite a formação de profissionais mais bem preparados para os desafios da Medicina Veterinária”, diz.
A Comissão alerta que cursos com estrutura deficiente e carga prática insuficiente podem comprometer tanto o desempenho no exame quanto a segurança da atuação profissional. Por isso, a recomendação aos futuros estudantes é verificar se o curso possui conceitos 4 ou 5 no Portal e-MEC e se atende integralmente às Diretrizes Curriculares Nacionais.