A chegada do outono, marcada pela queda de temperatura e pela redução da umidade relativa do ar, exige atenção redobrada dos responsáveis à saúde respiratória de cães e gatos. As condições climáticas favorecem processos inflamatórios, aumentam a produção de muco e criam um ambiente propício à proliferação de agentes infecciosos, especialmente em animais predispostos.
A presidente da Comissão Técnica de Animais de Companhia do Conselho Regional de Medicina Veterinária do Estado de São Paulo (CRMV-SP), Sibele Konno, destaca que o período requer cuidados tanto na prevenção quanto na observação de sinais respiratórios e oculares. Segundo a médica-veterinária, o ar seco intensifica a irritação das mucosas, agravando quadros em animais mais sensíveis.
A profissional ressalta que raças braquicefálicas, como pugs, bulldogs, shih-tzus e gatos persas, apresentam maior risco devido à própria anatomia, que dificulta a respiração. Animais com olhos mais expostos também podem sofrer com irritações oculares que podem evoluir para casos mais graves, como úlcera de córnea.
“A evaporação da lágrima é mais rápida nesta época do ano, e a lubrificação ocular com colírios prescritos pelo médico-veterinário é fundamental para evitar irritações e lesões”, explica Sibele. Em casos específicos, o uso de óculos de proteção pode ser indicado para preservar a saúde ocular.
No que se refere ao sistema respiratório, a prevenção segue como a principal medida para reduzir riscos associados ao clima seco. A vacinação anual, incluindo a proteção contra a gripe canina e a vacina múltipla (V10/V8), é essencial para prevenir doenças.
A presidente da Comissão Técnica de Animais de Companhia do CRMV-SP também alerta para os riscos de locais com grande circulação de animais, como parques, creches e daycares, onde a aglomeração favorece a disseminação de doenças. Nesses ambientes, é importante observar sinais como tosse e secreções nasais em outros animais.
Outro ponto de atenção é o cenário atual da gripe aviária, que reforça a importância de impedir que cães, e especialmente gatos, tenham acesso a aves, principalmente as migratórias.
Sinais de alerta
Alguns sinais respiratórios exigem atendimento médico-veterinário imediato. Entre eles estão a cianose, caracterizada pela coloração arroxeada das gengivas ou da língua; a dispneia, quando o animal apresenta dificuldade evidente para respirar ou respiração acelerada; e a apatia intensa, com o pet prostrado e sem reação a estímulos. A identificação precoce desses sintomas é essencial para evitar a evolução do quadro e garantir maior segurança, especialmente em animais pertencentes a grupos de risco.
Já em relação a problemas oculares, estão entre os sinais de alerta: vermelhidão, secreção excessiva e o ato de esfregar a região. Estes são indicativos de desconforto e inflamação que exigem avaliação veterinária.
“A adoção de cuidados contínuos ao longo do outono contribui para a prevenção de complicações e para a manutenção da qualidade de vida dos animais. O acompanhamento veterinário regular, a vacinação em dia e a atenção a mudanças comportamentais são medidas fundamentais para atravessar o período com mais segurança e bem-estar”, reforça Sibele.