O carnaval é um dos períodos mais aguardados do ano, marcado por festas, viagens, calor intenso e mudanças na rotina. Em meio à diversão, é fundamental lembrar que tanto os animais de companhia quanto as pessoas ficam mais expostos a riscos à saúde, seja pelo estresse, pela exposição às altas temperaturas, pelos barulhos intensos ou pelo consumo de alimentos fora de casa.
De acordo com o Ministério da Saúde, a exposição prolongada ao calor intenso pode causar desidratação, exaustão térmica, insolação e agravamento de doenças pré-existentes, especialmente em ambientes com aglomeração e esforço físico, comuns nesse período do ano.
De acordo com a presidente da Comissão Técnica de Animais de Companhia do Conselho Regional de Medicina Veterinária do Estado de São Paulo (CRMV-SP), Sibele Konno, o mesmo ocorre com os animais. Muitos responsáveis por animais aproveitam o feriado para viajar, o que exige organização prévia, por isso, o planejamento é essencial para evitar situações de risco. “Os responsáveis devem se preparar para cada ocasião. É importante verificar se o local é realmente pet friendly, se oferece segurança adequada e se o animal poderá participar das atividades sem riscos”, orienta.
Animais que fazem uso contínuo de medicamentos devem ter suas doses garantidas durante todo o período da viagem. Caso esses medicamentos precisem ser mantidos em temperaturas mais baixas, é essencial verificar se haverá fácil acesso a refrigerador. O mesmo cuidado vale para alimentações caseiras que precisam ser armazenadas e aquecidas corretamente.
“Em viagens longas, é fundamental fazer paradas regulares para oferecer água e permitir que o animal urine e se movimente, sempre com o uso de guia. Caixas de transporte adequadas e bem ventiladas também são indispensáveis”, explica Rodrigo Filippi Prazeres, integrante da Comissão Técnica de Animais de Companhia do Regional.
O médico-veterinário também alerta que os pets nunca devem ser deixados sozinhos dentro de veículos, mesmo que por poucos minutos, devido ao risco de hipertermia grave. “Além disso, em viagens intermunicipais ou interestaduais, pode ser exigido atestado ou certificado de saúde emitido por médico-veterinário, comprovando que o animal está em boas condições de saúde e com a vacinação antirrábica em dia, conforme as regras do meio de transporte utilizado”, enfatiza Prazeres.
Calor intenso exige atenção redobrada
As altas temperaturas comuns nesta época do ano representam um risco significativo para cães e gatos. Segundo Sibele Konno, esses animais apresentam maior dificuldade para dissipar o calor corporal, o que aumenta o risco de hipertermia, condição grave que pode levar à morte. “Cães e gatos têm uma temperatura corporal naturalmente mais alta em comparação aos seres humanos, em compensação a troca de calor não é tão eficiente, por isso a exposição ao sol, especialmente nos horários mais quentes do dia, pode levar à hipertermia, que é uma condição grave”, alerta.
Passeios e atividades físicas devem ser evitados entre 10h e 16h, dando preferência ao início da manhã ou ao final da tarde. O solo quente, como asfalto e calçadas, pode causar queimaduras nas patas. Uma forma simples de verificar se é possível levar o animal é encostar a palma no chão; se estiver quente demais para o responsável, também estará para ele.
Integrante da Comissão Técnica de Animais de Companhia do Conselho, Maria Cláudia Inglez também alerta para sinais de medo, ansiedade e estresse, como postura encurvada, cauda baixa ou entre as patas, orelhas para trás, pupilas dilatadas, tremores, vocalização intensa e tentativas constantes de se esconder. “Sinais físicos como respiração muito ofegante, salivação excessiva, fraqueza, gengivas arroxeadas, vômitos, diarreia, desorientação ou convulsões indicam emergência e exigem atendimento veterinário imediato”, reforça.
Barulho e aglomerações
Blocos de rua, festas e eventos com som alto podem provocar medo, ansiedade e estresse nos animais. De acordo com a médica-veterinária Sibele Konno, alguns pets podem passar por processos de dessensibilização, com exposição gradual aos estímulos, mas isso exige tempo, paciência e planejamento.
Na maioria dos casos, a melhor forma de proteção é evitar levar o animal para ambientes com aglomeração e barulho intenso. “A melhor forma de proteção ainda é evitar essas situações, especialmente quando o animal nunca foi exposto ou demonstra desconforto com barulhos intensos”, orienta.
Quando não for possível evitar ambientes festivos, recomenda-se manter o pet afastado da multidão, utilizar meios de transporte adequados e, em alguns casos, protetores auriculares específicos para animais.
Cuidado com alimentos e bebidas
Durante o carnaval, é comum que alimentos e bebidas fiquem ao alcance dos animais. Bebidas alcoólicas, energéticos e isotônicos são extremamente tóxicos para cães e gatos, assim como alimentos ultraprocessados ricos em sódio, e alimentos muito condimentados. “Chocolate também, mesmo em pequenas quantidades, é tóxico para os pets e pode causas quadros graves de intoxicação’’, alerta Sibele Konno.
Para auxiliar na hidratação, podem ser oferecidas opções seguras, como água fresca sempre disponível e picolés caseiros feitos com caldo de carne ou frango não industrializado, ou frutas como melancia e melão, desde que já façam parte da rotina alimentar do animal e sejam armazenadas adequadamente.