Corujas que se aproximam de humanos relutam em voltar à natureza

Joly não quer ir embora. A coruja é hóspede da Fazenda Capoava há sete meses e, mesmo depois de duas tentativas de soltura, ela se recusa a retornar à mata. Por ter adotado o endereço como lar, a ave se transformou em xodó dos funcionários do hotel fazenda em Itu, no interior de São Paulo.

Mais curioso ainda é que ela passou a dormir à noite, contrariando os hábitos noturnos da espécie, só para conviver com as pessoas durante o dia. Outra característica assimilada é sempre aparecer quando ouve alguma voz.

Com um ano de idade, a coruja suindara foi encontrada ainda filhote nas ruas de Sorocaba, também no interior do Estado. Resgatada pelo Corpo de Bombeiros, foi levada ao zoológico local e, de lá, entregue à Capoava. “Temos uma parceria com o zoo”, conta o biólogo da fazenda, Ayo Miranda. “Como eles não têm tempo de trabalhar todo o processo de soltura, entregam o animal para nós”.

São poucos os lugares que fazem esse trabalho. De acordo com o Ibama – Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis, São Paulo possui 15 áreas de soltura, todas no interior. Apesar disso, é possível ver suindaras na metrópole. Elas estão voando por aí e foram avistadas em alguns parques da cidade, como o Ibirapuera, que não contabilizou quantas passaram por lá.

No Villa Lobos, duas corujas-buraqueiras costumam dar pinta em plena luz do dia e não parecem incomodadas com o vaivém dos corredores.

Em Itu, a fazenda soltou, só no primeiro mês deste ano, duas corujas. Em 2009, foram outras cinco. A tarefa não é tão simples. Leva-se, em média, de quatro meses a um ano para tornar o animal apto a caçar a própria comida e a se defender dos predadores. “As pessoas acham que basta soltar o bicho e ele volta a viver facilmente na mata. Não é bem assim”, diz o biólogo.

Ayo explica que o primeiro passo da reintegração consiste em “ensinar” à ave quais são seus alimentos. Como? “Abrimos um rato e deixamos a coruja comer as vísceras”, explica. “Se colocar apenas o bicho junto, ela pode achar que é um amigo e não atacá-lo”.

Passada essa primeira fase, começam as aulas de voo. O “petisco” é colocado cada vez mais longe da ave para forçá-la a voar. Quando a coruja se torna capaz de buscar o alimento a cerca de 20 metros, está pronta para voltar à natureza.

Exibido e guloso

Joly, que na verdade é um macho, não dá sinais de que vai voltar para o seu habitat. “Como ele sempre retorna e se adaptou ao cativeiro, desistimos de soltá-lo”, afirma Ayo. Virou hóspede e atração. Ganha como ração diária 100 g de carne. Por saber caçar sozinho, às vezes recebe em seu viveiro de oito metros quadrados a “visita” de ratos vivos para exercitar o hábito da caça. É um banquete.

Fisicamente, o que mais chama a atenção na suindara é o disco facial em forma de coração. Nele ficam escondidos os grandes olhos, feitos para enxergar à noite. A visão privilegiada ganha outro reforço com um pescoço capaz de girar 270º. Aí está um predador implacável, que chega a medir cerca de 30 cm e pesar em torno de 200 g.

Exibido, Joly entra em cena todos os domingos, quando faz uma apresentação digna de estrela: alça voo em busca de pequenos pedaços de carne diretamente das mãos dos visitantes.

Além da coruja suindara, na Capoava vivem outros animais que não conseguiram se readaptar à natureza. Para eles, há uma área chamada de roteiro dos bichos, que conta com araras, papagaios, tucanos, macacos, entre outros. Todos vivem em cativeiro. Esses lugares são chamados de criadouros conservacionistas. De acordo com o Ibama, são cerca de 50 em todo o Estado.

Fonte: Folha de São Paulo (acessado em 08/02/10)

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