O engenheiro agrônomo Rodolfo Warto Cyrineu, que dá suporte técnico aos criadores, conta que o segredo está no equilíbrio entre a boa alimentação, mas de baixo custo, e a melhoria genética das vacas. “O pasto ainda é o alimento mais barato para o gado, mas precisa ser tão nutritivo quanto a ração.” No sítio dos Almeida, o agrônomo usou napiê e capim mombaça para formar os dois hectares de pastagem. “Usamos GPS para levantar as áreas disponíveis e, a partir da análise do solo, fizemos a correção e adubação.” Para dimensionar o tamanho e a quantidade dos piquetes, ele levou em conta o número de vacas em lactação, vacas “secas”, novilhas e bezerros.
O pasto é mantido com a aplicação de 350 quilos de adubo por hectare durante o verão. O trato garante alta produção e elevado valor nutritivo. “No napiê conseguimos um teor de proteína de até 19%, praticamente o mesmo da ração, mas a um custo muito baixo.”
O mombaça não chega a ser tão nutritivo, mas, ao contrário do napiê, plantado por muda, é semeado a lanço. Cyrineu calcula o custo da pastagem em meio litro de leite por vaca ao dia. “No entanto, um pasto bom dobra a produção de leite.” O gado permanece três dias em cada piquete. O agrônomo fez um exclusivo piquete-maternidade bem na frente da casa da família.
Ali são alojadas as vacas que vão parir num período de 30 dias. “Se uma delas tem um problema no parto, o criador está perto para acudir.” Transformado no coordenador informal do programa, Paroni visita pequenos pecuaristas da região e tenta convencê-los a mudar o sistema de produção. Um dos mais resistentes é o criador Pedro Renato da Silva Barros, que mantém um plantel de 15 vacas e tira 80 litros por dia, “faça chuva ou sol”. Barros resiste porque vende o leite in natura nas ruas de Salto de Pirapora.
Ele transporta o produto em latões numa carroça com tração animal e já tem uma clientela fixa. Cobra R$ 1,25 por litro. “Meus fregueses pagam somente no fim do mês.” Paroni procura convencer o criador de que seu comércio é irregular. “É leite sem nenhuma inspeção, pode dar algum problema de saúde”, argumenta. Barros alega que seu pai já fazia esse tipo de comércio e defende as qualidades do leite in natura. Depois, segue adiante com sua carroça.
INFORMAÇÕES: Agrôn. Rodolfo Cyrineu, tel. (0–15) 3273-2303
Fonte: Estado de São Paulo (acessado em 28/10/2009)