Esta semana, o ataque de um cão a uma criança de um ano e nove meses, em uma praça do Alto de Pinheiros, região oeste da cidade de São Paulo, chocou muitas pessoas. O animal pertencia a uma juíza, e ela afirma que ele nunca havia demonstrado comportamento agressivo. Como evitar acidentes desse tipo?
“O dono é o responsável, inclusive criminalmente, pelo comportamento do animal”, afirma a médica veterinária do setor de vigilância epidemiológica do Centro de Controle de Zoonoses (CCZ), Noemia Tucunduva Paranhos, que trabalha com os casos de agressões. De acordo com a veterinária, o dono do cão deve zelar para que ele não apresente riscos para os outros e para a própria pessoa. “Se você tem um animal de porte grande, precisa conhecê-lo e ensiná-lo desde cedo a conviver com pessoas. Atitudes como prender o cão com correntes, deixá-lo isolado no canil ou mesmo fazer brincadeiras agressivas como cabo-de-guerra podem deixá-lo mais violento”, alerta a veterinária.
Na hora de passear com o cão, o uso de coleira com guia curta e focinheira é obrigatório para animais das raças mastim napolitano, pit bull, rottweiler e american staffordshire terrier, segundo a Lei nº 11.531, de novembro de 2003. Quem desrespeitá-la pode arcar com uma multa de dez Ufesps (cerca de R$ 160). Mas o uso desses equipamentos não deve limitar-se à legislação. Cães de outras raças, até mesmo pequenos, podem representar ameaças ao convívio e cabe aos donos identificar esses comportamentos antes que o animal cause problemas.
Saiba quais os sinais de um cão que apresenta comportamento agressivo:
*O cão late ou rosna
*Mostra os dentes
*Os pelos da nuca e do dorso ficam eriçados
*As orelhas ficam abaixadas e para trás
*A postura se torna rígida, os membros são mantidos afastados e o dorso, encurvado.
Se seu pet mostra estes sinais, não entre em pânico. “O tutor deve se comprometer a reverter a situação e prevenir ataques. Atualmente existem especialistas em treinamento que garantem que quase todo animal pode ser recuperado. Não é muito simples, mas descartar não é a solução”, diz Noemia.
O mais indicado é que o tutor procure um adestrador. Cuidados extras devem ser tomados para que o animal não escape de casa, como verificar falhas em cercas e muros e também evitar que o pet fique na área da garagem durante a entrada e saída de veículos.
Mesmo quem não tem cachorros deve saber como interagir com eles. Caso você ache que será atacado por um cão, veja o que fazer:
*Fique em pé, imóvel, protegendo a cabeça, o rosto e o pescoço, encobrindo-os com as mãos e braços
*Nunca olhe diretamente para o animal. Se ele atacar você, continue se protegendo, sem gritar, nem se mover. Tente ficar parado
*Se você cair, fique em posição fetal, ou seja, de lado com as pernas dobradas e os joelhos próximos ao tórax. A cabeça deve ficar encostada nos joelhos e as mãos, protegendo o pescoço
*Fique imóvel até aparecer ajuda. Se você ficar parado, provavelmente o cão não morderá
Caso o animal ataque, é importante lavar a ferida com água e sabão e procurar um médico. Identificar o dono do animal também é fundamental para garantir que ele não está contaminado por raiva. Basta pedir para o dono observá-lo por dez dias, período em que a doença se manifesta. Não é necessário que a vítima tome a vacina contra raiva caso o animal não apresente a doença.
Fonte: Revista Época SP (acessado em 25/11/10)