No mês de conscientização para o diagnóstico precoce do câncer de próstata, não só a saúde urológica dos pets está em pauta, mas a dos médicos-veterinários e zootecnistas também. Especialistas ressaltam que é preciso maior diálogo dos homens com seus médicos para a descoberta da doença ainda no início, bem como para a escolha da conduta mais adequada.
De acordo com Rafael Coelho, médico coordenador da área de câncer de próstata da Sociedade Brasileira de Urologia (SBU), os exames check-up para rastreamento de possíveis focos da doença devem ser feitos a partir dos 50 anos. “E devem ser antecipados para os 40 anos no caso de pacientes com histórico de câncer de próstata na família ou de homens negros”, afirma.
Coelho explica ainda que o fator hereditário da doença e a afrodescendência elevam, comprovadamente, as chances de desenvolvimento dos tumores no órgão. Fábio Galucci, médico-assistente da Urologia do Instituto do Câncer do Estado de São Paulo (Icesp), concorda e completa que a doença é rara entre os jovens. “A incidência aumenta por volta dos 60 anos, o que tem relação com o acúmulo de mutações das células ao longo do tempo.”
Ambos os médicos argumentam que não há fatores de risco externos, como no caso de outros tipos de câncer. No entanto, a obesidade e o abuso de dietas gordurosas e pobres em vegetais podem contribuir negativamente.
Rastreamento
De acordo com Renata Maciel, sanitarista do Instituto Nacional do Câncer (Inca), que integra a equipe de Detecção Precoce e Apoio à Organização de Rede da instituição, existe uma orientação pelo não rastreamento da doença. “A descoberta de tumores muito iniciais e de desenvolvimento lento pode expor o paciente a um tratamento mais agressivo que a própria doença, debilitando a saúde do homem, é preciso humanizar os procedimentos”, afirma.
Já Coelho e Galucci argumentam que, embora haja essa indicação, o consenso médico, em caráter internacional, é para que seja feito o rastreamento, mas preconizando a sensibilização da classe urologista e dos pacientes quanto à conduta em casos de estágio muito inicial. “É o que chamamos de ‘vigilância ativa’, que é a escolha por um acompanhamento cuidadoso em vez do tratamento imediato”, enfatiza Galucci.
Tratamentos
O combate à doença vai depender do grau em que foi descoberto o câncer. A graduação de risco/agressividade é delimitada por uma escala de seis (baixo risco) a dez (alto risco). Na maioria das vezes a detecção da doença é feita em fases iniciais. “Mas, ainda temos uma média de 35% de diagnóstico em estágios mais graves”, comenta Renata Maciel, do Inca.
Para tumores localizados, os tratamentos podem ser cirúrgicos e com radioterapia. Já em casos de metástases, têm sido usadas a quimioterapia e a terapia de bloqueio hormonal, uma vez que os tumores são hormônio-dependentes. “Há avanços na área, como radioterapia como foco mais preciso e cirurgias robóticas minimamente invasivas, o que contribui para a redução de efeitos colaterais”, comenta Coelho.