O Conselho Regional de Medicina Veterinária do Estado de São Paulo (CRMV-SP) participou, pela primeira vez, do Congresso de Secretários Municipais de Saúde do Estado de São Paulo (Cosems), promovido pelo Conselho de Secretários Municipais de Saúde. A 39ª edição aconteceu entre os dias 8 e 10 de abril de 2026, em Santos.
Considerado um dos principais encontros da Saúde Pública, o evento foi palco para o Regional apresentar, de forma estratégica, a relevância da Medicina Veterinária no âmbito do Sistema Único de Saúde (SUS), com distribuição de materiais técnicos e atendimento direto a gestores e profissionais da área.
Ao longo do congresso, o CRMV-SP promoveu debates sobre maus-tratos, zoonoses e segurança de alimentos de origem animal, além de disponibilizar integrantes de suas comissões técnicas para orientação especializada. A iniciativa ampliou o diálogo com os 645 municípios paulistas e reforçou o papel estratégico do médico-veterinário na formulação e execução de políticas públicas de saúde.
Segundo o presidente da Comissão de Políticas Públicas do Conselho, Daniel Leite, a presença no Congresso fortaleceu o reconhecimento institucional da categoria dentro do SUS. “A participação representa um avanço estratégico para consolidar a Medicina Veterinária como componente essencial das políticas públicas de saúde, pois o Congresso é um espaço qualificado para diálogo direto com gestores municipais”, disse.
Nesse contexto, Leite ressalta que “a atuação do médico-veterinário é parte integrante das ações de saúde pública”, com papel consolidado na vigilância em saúde, controle de zoonoses, segurança dos alimentos e no manejo e controle de animais sinantrópicos.
“Quando o gestor investe em políticas voltadas aos animais, ele está prevenindo doenças, reduzindo riscos sanitários e contribuindo também para a mitigação de violências”, afirmou o presidente da Comissão.
Uma Só Saúde
Já na perspectiva da Comissão de Uma Só Saúde, a atuação veterinária é apresentada como central no enfrentamento de riscos sanitários. A presidente da comissão, Vera Letticie de Azevedo Ruiz, ressalta que o profissional é essencial na vigilância integrada. “Mais de 60% das doenças infecciosas humanas têm origem animal, o que fundamenta a centralidade do médico-veterinário na saúde pública. Por isso, o médico-veterinário não é complementar, ele é protagonista na vigilância em saúde do SUS”, disse Vera.
Durante o Congresso, a Comissão promoveu debates relacionados às zoonoses, como leishmaniose e esporotricose, evidenciando o papel dos profissionais da Medicina Veterinária na identificação de fontes de infecção e no controle da cadeia de transmissão, contribuindo diretamente para a proteção da população.
Segurança dos alimentos
Outro eixo relevante da participação do CRMV-SP no Cosems está ligado à segurança dos alimentos de origem animal. O presidente da Comissão de Fiscalização de Alimentos, Affonso dos Santos Marcos, destaca que a Medicina Veterinária atua em toda a cadeia produtiva, assegurando a qualidade dos produtos consumidos pela população.
“O profissional é responsável por ações que vão desde a prevenção de doenças até a inspeção sanitária. Ao garantir alimentos de origem animal seguros, o médico-veterinário contribui diretamente para a redução de internações, óbitos e custos ao SUS.”
Os materiais que foram distribuídos durante o evento reforçam o papel do médico-veterinário na vigilância sanitária, na prevenção de zoonoses e na implementação de políticas de segurança alimentar, além de evidenciar a importância da integração com outras áreas da saúde.
Enfretamento aos maus-tratos
A Medicina Veterinária Legal reforçou a importância do enfrentamento aos maus-tratos. “O médico-veterinário é peça-chave na responsabilização desses crimes: é o profissional capacitado para identificar e comprovar maus-tratos, atuando como suporte técnico à Justiça por meio de exames e perícias”, disse a presidente da Comissão, Angela Maria Branco.
O material desenvolvido para o evento abordou o diagnóstico técnico de maus-tratos, a Teoria do Elo, que relaciona a violência contra animais à violência interpessoal, e o suporte aos municípios. Também trouxe orientações sobre legislação, formas de denúncia e o papel da prova pericial, reforçando a importância de uma atuação qualificada.
Angela também ressaltou os impactos na saúde pública, já que animais em situação de negligência podem representar riscos sanitários, além da possível correlação com outros tipos de violência, ampliando a relevância do tema para a sociedade.
Com participação inédita, o CRMV-SP utilizou o congresso como vitrine para evidenciar a Medicina Veterinária como essencial à saúde coletiva, destacando sua atuação em vigilância, bem-estar animal, segurança alimentar e políticas públicas, alinhada ao conceito de Uma Só Saúde e ao fortalecimento de um SUS mais integrado e eficiente.