Março Amarelo: prevenção e diagnóstico precoce são fundamentais no combate às doenças renais em animais

Enfermidades podem evoluir de forma silenciosa e exigem acompanhamento periódico para garantir qualidade de vida a cães e gatos
Texto: Comunicação CRMV-SP / Foto: Freepik

O mês de março é marcado pela campanha Março Amarelo, que destaca a importância da prevenção e do diagnóstico precoce das doenças renais. Na Medicina Veterinária, a mobilização reforça a necessidade de atenção aos sinais clínicos e à realização de exames periódicos em cães e gatos, especialmente a partir da fase adulta.

As doenças renais podem evoluir de forma silenciosa, sendo muitas vezes detectadas apenas quando há comprometimento significativo da função renal. Entre as mais comuns estão a doença renal crônica e a injúria renal aguda, ambas com impactos importantes na saúde e na qualidade de vida dos animais.

Segundo o médico-veterinário Adriano Savoia Morales, especializado em Nefrologia, fatores como idade avançada, predisposição genética, doenças infecciosas (como doença do carrapato e leishmaniose), uso prolongado de anti-inflamatórios, desidratação, alimentação inadequada e doenças sistêmicas podem contribuir para o desenvolvimento dessas enfermidades. “Cães e gatos apresentam prevalência alta de doença renal, mas os gatos têm maior incidência”, explica.

Doenças sistêmicas, como hipertensão e diabetes, além de problemas urinários recorrentes, exposição a toxinas, incluindo plantas potencialmente nefrotóxicas, e a ausência de acompanhamento veterinário preventivo também colaboram para o desenvolvimento de alterações renais.

Como as doenças renais afetam os animais

Os rins realizam funções vitais, como filtrar o sangue, eliminar toxinas, regular eletrólitos, controlar o equilíbrio hídrico e participar da regulação da pressão arterial. Quando a função renal é comprometida, surgem alterações sistêmicas importantes.

A doença renal crônica progride lentamente e de forma irreversível, enquanto a injúria renal aguda surge de forma súbita, frequentemente relacionada a intoxicações, desidratação ou infecções.

De acordo com a médica-veterinária e presidente da Comissão Técnica de Animais de Companhia do Conselho Regional de Medicina Veterinária do Estado de São Paulo (CRMV-SP), Sibele Konno, alguns sinais iniciais podem passar despercebidos pelos responsáveis, o que contribui para o diagnóstico tardio da doença. “Os sinais mais precoces costumam ser o aumento da ingestão de água e da quantidade de urina produzida. A perda de peso e o apetite instável também podem estar associados ao diagnóstico de doença renal”, explica.

Morales ressalta que nos gatos, os sinais podem ser ainda mais sutis. “Muitas vezes, os responsáveis percebem apenas mudanças de comportamento, como o animal ficar mais quieto ou passar a comer menos”, alerta.  

Prevenção e cuidados

Os rins possuem grande capacidade de compensação, o que pode retardar o aparecimento de sinais clínicos. Com a progressão da doença, podem surgir sinais mais evidentes, como mau hálito, desidratação e fraqueza acentuada. “Quando o animal começa a apresentar sinais clínicos, muitas vezes a doença já está em estágio mais avançado”, ressalta o médico-veterinário Adriano Morales.

Por esse motivo, a presidente da Comissão Técnica de Animais de Companhia do CRMV-SP afirma que o acompanhamento médico-veterinário com consultas regulares, exames laboratoriais preventivos (hemograma, creatinina, SDMA, ureia, exame de urina, ultrassonografia) e aferição da pressão arterial é essencial para detectar a doença ainda no início.

De forma geral, recomenda-se que os exames preventivos comecem a ser realizados a partir dos sete anos de idade.  “Em cães de grande porte, esses check-ups podem começar um pouco mais cedo. E sempre que o responsável perceber qualquer mudança de comportamento ou rotina do animal, é importante procurar orientação médica-veterinária”, acrescenta Larissa Mitie Hojo, integrante da Comissão Técnica de Animais de Companhia do CRMV-SP.

A prevenção envolve também uma série de cuidados no dia a dia do animal. “É importante garantir água fresca sempre disponível, oferecer alimentação adequada à fase de vida e à condição corporal do animal, e evitar qualquer tipo de automedicação. Em gatos, a hidratação é um ponto central. Algumas estratégias podem ajudar, como disponibilizar vários recipientes de água pela casa ou utilizar fontes, já que muitos preferem água corrente, e oferecer alimentos úmidos”, orienta Larissa.

Diagnóstico, tratamento e qualidade de vida

Após o diagnóstico, o tratamento dependerá do tipo de doença, do estágio clínico e das condições gerais do animal. Embora a doença renal crônica não tenha cura, tratamentos adequados podem manter a qualidade de vida. “Na maioria das vezes, a doença renal crônica é progressiva e irreversível. No entanto, existem tratamentos que ajudam a retardar a progressão da doença, controlar sintomas e prevenir complicações”, explica Adriano Morales.

O tratamento geralmente envolve abordagem multifatorial, incluindo ajustes nutricionais, controle da pressão arterial, correção de distúrbios eletrolíticos e metabólicos, manejo da hidratação, tratamento de infecções urinárias e, em alguns casos, medicamentos que auxiliam no apetite, controle da anemia ou ganho de peso.

Nefrologia e Urologia Veterinária

O avanço da Medicina Veterinária especializada tem fortalecido áreas como a Nefrologia e a Urologia, que atuam no diagnóstico, prevenção e manejo das doenças renais e urinárias. A combinação dessas áreas permite protocolos individualizados, garantindo atenção completa à saúde do paciente.

A Nefrologia Veterinária é voltada ao estudo e manejo das doenças que afetam diretamente os rins, incluindo a investigação de alterações laboratoriais, interpretação de exames específicos e definição de protocolos terapêuticos individualizados.  Já a Urologia está relacionada às doenças que acometem o trato urinário inferior, como bexiga, uretra e ureteres, envolvendo condições como cálculos urinários, infecções recorrentes, obstruções e alterações anatômicas.

Durante o Março Amarelo, o CRMV-SP ressalta a importância da informação responsável e da orientação profissional para prevenir e identificar precocemente as doenças renais em cães e gatos. A atuação ética e qualificada do médico-veterinário é fundamental para garantir segurança, bem-estar animal e suporte adequado aos responsáveis.

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