“Zootecnia na Vanguarda da Produção Animal” debate inovação, bem-estar e futuro do profissão

Evento on-line reúne especialistas para discutir os impactos da inteligência artificial no campo e a integridade atlética dos cavalos no esporte equestre
Texto: Comunicação CRMV-SP; Foto: Magnific

A relação entre inovação, sustentabilidade e bem-estar animal será o foco do evento “Zootecnia na Vanguarda da Produção Animal”, promovido pelo Conselho Regional de Medicina Veterinária do Estado de São Paulo (CRMV-SP), no dia 25 de maio, das 19h às 21h, em formato on-line. O encontro reunirá especialistas para discutir como a inteligência artificial vem transformando zootecnia, além dos desafios relacionados à integridade atlética de cavalos no esporte equestre.

A programação foi estruturada para abordar temas estratégicos para o futuro da produção animal, com debates sobre competitividade no campo, gestão rural, prevenção de lesões, funcionalidade corporal e bem-estar animal. A proposta é ampliar a reflexão sobre práticas mais sustentáveis, éticas e tecnicamente fundamentadas dentro da Zootecnia.

Segundo Dr. Paulo Ribeiro, membro da Comissão de Zootecnia e Ensino do Regional, a inteligência artificial já se consolidou como uma ferramenta acessível e capaz de apoiar decisões importantes no setor. “As aplicações mais viáveis são aquelas voltadas à democratização do conhecimento técnico, à otimização do uso de recursos e à redução de riscos por meio da melhoria da gestão”, explica. De acordo com ele, essas soluções têm potencial para beneficiar especialmente pequenos e médios produtores rurais.

IA e competitividade no campo

O avanço da inteligência artificial no agronegócio tem proporcionado maior precisão na gestão das propriedades rurais, no monitoramento de dados e no planejamento produtivo. Ferramentas voltadas à análise de índices zootécnicos, recomendações técnicas e gestão da produção vêm ampliando o acesso à informação e fortalecendo a competitividade do setor.

De acordo com o Dr. Paulo Ribeiro, iniciativas como plataformas de recomendação técnica desenvolvidas por instituições de pesquisa podem auxiliar produtores na tomada de decisão. O especialista destaca que, ao reunir dados da propriedade e cruzá-los com bases de informação disponíveis, o produtor passa a receber “orientações relevantes para a melhoria da eficiência produtiva”, além de otimizar recursos e reduzir perdas operacionais.

Apesar dos avanços tecnológicos, a adoção da IA no campo ainda enfrenta desafios culturais e operacionais. “Muitos produtores mantêm certa resistência à incorporação dessas ferramentas, principalmente devido à valorização da experiência prática e do conhecimento transmitido entre gerações”, explica. Neste cenário, Paulo aponta que a desconfiança do produtor rural e a baixa alfabetização digital das equipes ainda representam obstáculos importantes para a consolidação dessas tecnologias no agronegócio.

Integridade atlética e bem-estar no esporte equestre

Outro tema central do evento será a discussão sobre a integridade atlética dos cavalos no esporte equestre e a necessidade de uma abordagem mais preventiva e funcional no treinamento desses animais.

Para a presidente da Comissão de Zootecnia e Ensino, Dra. Kátia de Oliveira, um dos principais desafios atuais está na dissociação entre desempenho esportivo e preparo físico adequado. “O cavalo é cobrado como atleta, mas muitas vezes não é construído como atleta, essa realidade compromete tanto a longevidade esportiva quanto o bem-estar animal”, alerta.

A zootecnista também chama atenção para a naturalização de sinais precoces de desconforto físico. Rigidez, alterações de comportamento e perda de fluidez nos movimentos, por exemplo, nem sempre são identificadas como indicativos de sofrimento. “Muitas dessas manifestações ainda são interpretadas apenas como características de temperamento, quando, na verdade, podem revelar perda de integridade atlética e comprometimento funcional”, diz.

Nesse contexto, a Zootecnia e o ensino técnico-científico surgem como ferramentas fundamentais para transformar a forma como o esporte equestre é conduzido. Dra Kátia explica que o ensino baseado em biomecânica, fisiologia do exercício e análise de movimento contribui para substituir práticas sustentadas exclusivamente pela tradição. Segundo ela, essa mudança torna o esporte mais capaz de proteger o cavalo antes que lesões, queda de desempenho ou sofrimento se instalem de forma mais grave.

Ao reunir debates sobre tecnologia, gestão e bem-estar animal, o evento busca estimular uma visão mais integrada, ética e sustentável da produção animal, reforçando a importância da inovação e do conhecimento técnico para o futuro da Zootecnia.

Serviço

Zootecnia na Vanguarda da Produção Animal

Data: 25 de maio

Horário: das 19h às 21h

Formato: on-line

Programação

19h – Os impactos da Inteligência Artificial na competitividade

Dr. Paulo Marcelo Tavares (Comissão de Zootecnia e Ensino e Sebrae-SP)

20h – Integridade atlética do cavalo: o ponto cego do esporte seguro

Dra. Kátia de Oliveira (Presidente da Comissão de Zootecnia e Ensino)

Mediadores: João Marcel Camargo Candido Ferreira e Vanessa Pillon dos Santos Borges (membros da Comissão de Zootecnia e Ensino)

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