Verão, férias e riscos invisíveis: doenças sazonais ameaçam a saúde

Altas temperaturas, umidade e chuvas intensas favorecem vetores e aumentam o risco de transmissão de doenças para pets e seres humanos
Texto: Comunicação CRMV-SP / Foto: Freepik

Praia, sol e férias: o verão é a estação mais aguardada por muitos brasileiros. No entanto, junto com os dias quentes e ensolarados, surge também um ambiente favorável à disseminação de doenças que afetam não apenas cães e gatos, mas também os seres humanos.

A presidente da Comissão Técnica de Uma Só Saúde do Conselho Regional de Medicina Veterinária do Estado de São Paulo (CRMV-SP), Vera Letticie de Azevedo Ruiz, explica que três fatores que se combinam nesse período ampliam os riscos: temperaturas elevadas, alta umidade e chuvas intensas. Esse cenário aumenta a exposição dos animais a vetores e ambientes contaminados. “Durante o verão, os pets frequentam mais praias, parques, clubes e áreas rurais, o que amplia o contato com mosquitos, carrapatos, água contaminada e resíduos orgânicos”, alerta.

Integrante da Comissão Técnica de Animais de Companhia do Regional, a médica-veterinária Bárbara Catharina Hellebrekers ressalta que os riscos vão além: “Chuvas fortes e enchentes favorecem o contato com água e solo contaminados pela urina de roedores, aumentando o risco de leptospirose. No Brasil, os surtos da doença em humanos estão diretamente relacionados aos períodos chuvosos”, explica.

Problemas de saúde comuns no verão

As médicas-veterinárias explicam as principais doenças que afetam cães e gatos no verão e quais outros males podem incomodar os pets nesse período. Confira:

Infográfico em tons de azul esverdeado e roxo com os dizeres:
•	Erliquiose: transmitida pelo carrapato marrom ou carrapato-vermelho-do-cão (Rhipicephalus sanguineus). Causa febre, apatia, perda de apetite e anemia;
•	Babesiose: protozoário que destrói hemácias, provocando, entre outros sintomas, anemia grave, febre e urina escura;
•	Leishmaniose: zoonose transmitida pelo mosquito-palha. Provoca nos cães perda de peso, lesões de pele e crescimento exagerado das unhas;
•	Dirofilariose (verme do coração): transmitida por mosquitos (principalmente Aedes, Culex e Anopheles), pode causar tosse crônica, cansaço, dificuldade respiratória e, em casos graves, insuficiência cardíaca;
•	Leptospirose: zoonose causada pela bactéria Leptospira. A transmissão acontece principalmente através do contato das mucosas e pele (mesmo íntegras) com água, alimentos, terra, plantas e objetos contaminados por urina com a bactéria. Os sintomas incluem febre alta, vômito e diarreia;
•	Hipertermia: aumento da temperatura corporal. Pode ocorrer em ambientes quentes ou após exercícios intensos. Cães e gatos trocam calor com o ambiente através da boca e focinho;
•	Queimaduras: os coxins das patas podem ser lesionados por calçadas e asfaltos superaquecidos;
•	Verminoses: parasitas internos que afetam o sistema digestivo, causando entre outras coisas, diarreia, perda de peso e até anemia;
•	Intoxicação alimentar: causada pela ingestão de alimentos deteriorados ou água contaminada;
•	Infestação por parasitas: pulgas e carrapatos transmitem vermes e bactérias, além de causarem desconforto e até dermatites.
Uma Só Saúde

A médica-veterinária Letticie Ruiz explica que, dentro do conceito de Uma Só Saúde, as saúdes humana, animal e ambiental estão diretamente interligadas. “Cães e gatos atuam como sentinelas ambientais. Quando há aumento de casos de leptospirose, dirofilariose ou leishmaniose nos animais, isso indica desequilíbrios ambientais e sinaliza risco potencial também para a população humana”, destaca.

Por isso, ao proteger a saúde dos animais, os responsáveis também estão cuidando do próprio bem-estar. “Medidas como o cuidado contínuo com os pets, o controle de vetores e a melhoria das condições ambientais reduzem, de forma simultânea, o risco de adoecimento de toda a família e da comunidade”, orienta a presidente da Comissão Técnica de Uma Só Saúde do CRMV-SP.

Medidas de proteção

Independentemente de o pet viajar durante o verão ou permanecer em casa, é fundamental adotar medidas de prevenção, especialmente no caso de animais que vivem em áreas endêmicas dessas doenças sazonais. Entre os principais cuidados estão a manutenção do calendário de vacinação e do controle antiparasitário em dia, sempre conforme a orientação de um médico-veterinário.

Outras medidas importantes incluem a limpeza adequada do ambiente, o controle de roedores, a eliminação de criadouros de mosquitos e o uso, por parte das pessoas, de equipamentos de proteção individual, como luvas e botas, no manejo de áreas possivelmente contaminadas.

“Em casos de suspeita ou diagnóstico de zoonoses em pets, como a leptospirose, é essencial que a família receba orientações sobre higiene e controle ambiental e, quando necessário, procure um serviço de saúde para avaliação do risco às pessoas que tiveram contato com o animal”, orienta a especialista.

Sombra e água fresca

As médicas-veterinárias alertam que, além da prevenção contra doenças, é fundamental garantir o bem-estar dos pets durante o verão. Isso inclui oferecer acesso constante à água fresca e manter os animais em locais com sombra. Bárbara Hellebrekers chama atenção, ainda, para o risco de queimaduras solares, que não se restringem às patas.

“Cães e gatos não são mais resistentes às queimaduras causadas pelo sol. Embora pelos ofereçam alguma proteção, áreas como orelhas, pálpebras, lábios e região abdominal, que têm pouca ou nenhuma cobertura, ficam expostas. Animais de pele clara, em especial, correm maior risco de desenvolver câncer de pele devido à ação nociva dos raios solares”, enfatiza.

Além de sombra e água, outros cuidados simples são essenciais, explica Vera Letticie Ruiz. “É importante evitar passeios nos horários mais quentes do dia, quando o calçamento pode causar queimaduras nas patas. Por isso, deve-se garantir áreas protegidas para animais que vivem em quintais e nunca deixar pets dentro de veículos, pois a temperatura interna se eleva rapidamente, mesmo quando o carro está à sombra”, alerta.

Com medidas simples de proteção e vigilância, é possível garantir que cães, gatos e suas famílias aproveitem o verão com mais segurança e tranquilidade. Diante de qualquer sintoma suspeito, a recomendação é procurar atendimento médico-veterinário imediatamente, já que o diagnóstico precoce pode ser decisivo para o sucesso do tratamento e a recuperação do animal.

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